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Opinião / André Stepan

Opinião: Conteúdo digital é fundamental para um casamento feliz entre clubes e federações centenárias com os e-Sports

André Stepan, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 26/08/2021, às 10h53

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Nos últimos anos, cada vez mais as centenárias federações e clubes de futebol apresentam um movimento interessante para também fazer parte do mundo dos e-Sports. Com o objetivo de modernizar a marca, agregar valor, gerar receita e atrair e estreitar relacionamento com torcedores mais jovens, muitas são as ações vistas pelo mundo.

Assim como acontece na Europa, hoje o maior centro do futebol mundial, muitas federações e clubes brasileiros também anunciam envolvimentos cada vez maiores com o universo dos e-Sports. A lista de ações por aqui não é pequena e passa por campeonatos, licenciamentos exclusivos, conteúdo, entre várias outras. No entanto, para as instituições centenárias, os desafios de conexão entre os dois mundos são inúmeros.

“O primeiro é entender o mercado, a demanda, o público; conhecer o universo que os e-Sports ocupam e onde o clube pode se inserir, se através de uma modalidade só ou em mais de uma. É preciso conversar com especialistas da área e players. Aliás, ter um player responsável pelo time é fundamental. Um profissional que irá responder pela equipe, responsável pelo gerenciamento dos outros players, controle dos treinos, campeonatos, inscrições, etc. E aliar a habilidade deles com a representatividade que o clube já tem no cenário do futebol tradicional”, disse Fabiana Fantini, coordenadora de marketing da Ponte Preta, campeã do e-Paulistão.

“Imagino que todos os managers de clubes que possuem modalidades de e-Sports estão descobrindo, pesquisando, trocando informações de como o futebol tradicional e os e-Sports se cruzam, se conversam. Embora o escudo, as cores e a paixão sejam as mesmas, o público se diferencia. As ações com jogadores, tanto os de campo tradicional quanto os players, se mostram cada vez mais um viés interessante de trabalhar, afinal muitos atletas jogam videogame, e fazer a famosa disputa no PES entre jogadores de ambas as modalidades é algo que tem dado certo e despertado interesse mútuo. Este é um exemplo”, continuou a executiva. “Outra coisa são as federações, como a FPF que promoveu o e-Paulistão. A competição andou em paralelo com o Paulistão ‘tradicional’ e foi uma boa sacada de como novas formas se conectam com outros públicos e de sentir a aceitação, o engajamento e o interesse dos parceiros”, completou Fabiana.

Bernardo Itri, vice-presidente de marketing e comunicação da Federação Paulista de Futebol (FPF), concorda com Fabiana: “O futebol tradicional e os e-Sports podem conversar especialmente na promoção das competições, conectando com públicos que podem ser bastante distintos. O envolvimento em conjunto auxilia no engajamento do público e dos clubes”.

Para conectar os dois mundos, o conteúdo também é rei. Agências especializadas surgiram nos últimos anos, como é o caso da 7W Play, responsável pela organização do próprio e-Paulistão e, entre outros projetos, também pelo gerenciamento da área de e-Sports de clubes tradicionais (como é o caso atual do Cruzeiro).

“O primeiro e mais importante desafio para produzir conteúdo voltado aos e-Sports em um clube é segmentar público e entender que a audiência do mundo dos games é ainda mais engajada se comparada à base de torcedor do esporte tradicional. Este é um fator positivo se a audiência perceber alinhamento e valor agregado na editoria e/ou na comunicação, mas pode ser uma dor de cabeça se executado sem o devido conhecimento de causa e do setor. Se eu pudesse dar uma dica aos ‘social medias’ que produzem conteúdos nas redes sociais dos clubes e/ou federações, seria: estudem bem a sua audiência e tragam conteúdos gamers relevantes para impactar positivamente a sua base. Estamos falando de um público que sabe o que gosta e é bastante exigente, mas, se você acertar a estratégia, terá uma base relevante e bastante engajada com a sua comunicação”, falou Felipe Carvalho, CEO da 7W Play.

“Precisamos entender que o fluxo de audiência deve ser segmentado em pelo menos três personas diferentes. Temos uma parcela de gamers considerados ‘hard users’, que é uma comunidade que consome conteúdos específicos por pelo menos três horas ao dia. Para cair nas graças deste público, o conteúdo precisa ser inteligente, relevante e entregar valor de fato a um público bastante exigente. Temos um público considerado ‘casual’, que consome até uma hora de conteúdo específico ao dia. Para agradar este público, o conteúdo pode ser mais ‘fun’, construído por uma perspectiva mais voltada ao entretenimento. E, por fim, temos um terceiro público, que não podemos considerar como um gamer, mas sim um simpatizante dos jogos digitais. Neste caso, costumamos trazer conteúdos animados como plano de fundo de uma ativação para aproximar um público de fatos da vida real”, finalizou Felipe.

Além de modernizar a marca e se aproximar ainda mais do seu torcedor, os e-Sports também apresentam uma excelente possibilidade de geração de novas receitas para clubes e federações. “Temos conversado com os patrocinadores sobre essas oportunidades. Muitos têm se mostrado muito interessados. Entrar no mundo dos e-Sports por meio de uma instituição já conhecida e com base de fãs grande e engajada, como o Cruzeiro, é uma ótima oportunidade para as marcas que ainda não conhecem ou querem experimentar esse mundo”, declarou Rodrigo Moreira, diretor de marketing e inovação do Cruzeiro.

A entrada dos tradicionais clubes e federações nos e-Sports não tem volta. No entanto, para que o projeto se torne bem-sucedido é preciso entender onde e como fazer a conexão entre os dois mundos e, acima de tudo, produzir um ótimo conteúdo digital. Já temos inúmeros cases de sucesso no Brasil e no mundo. É seguir a cartilha e correr pro abraço!

André Stepan é jornalista, pós-graduado em marketing esportivo, especialista em comunicação e conteúdo digital, e escreve mensalmente na Máquina do Esporte