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Opinião / Calendário

Opinião: Copa do Nordeste mostra complexidade do futebol brasileiro

Duda Lopes Publicado em 17/03/2021, às 22h48

Imagem Opinião: Copa do Nordeste mostra complexidade do futebol brasileiro

Rege o bom senso a adequação do calendário brasileiro ao europeu: um campeonato nacional, uma copa e uma disputa continental, o que já geraria excessos de jogos. A profusão de eventos tira atenção dos torcedores, cada vez menos interessados nos fracos estaduais que, com exceção de São Paulo, geram mais prejuízos do que ganhos. Mas aí surge a Copa do Nordeste.

A competição regional surgiu nos anos 1990 e teve altos e baixos ao longo das últimas décadas, com uma longa pausa nos anos 2000. Mas, nas últimas edições, tem ganhado força. Não só entre o público, mas também entre grandes marcas.

E há um porquê óbvio disso: há uma grande identificação dos torcedores com a disputa. A Copa do Nordeste representa hoje a oportunidade de equipes com enormes torcidas se encontrarem, um cenário cada vez mais improvável em uma Série A de Campeonato Brasileiro cada vez mais desequilibrada.

Copa do Nordeste tem ganhado relevância dentro do cenário do futebol

Ainda longe do ideal, a Copa do Nordeste vem representando uma identidade da região brasileira dentro do futebol. Com apelo, soma uma média de público superior a todos os Estaduais do Brasil, com exceção de São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2019, sem pandemia, o Fortaleza teve média de 22 mil pessoas por partida.

Premiação mais parruda aos times e ingressos mais acessíveis ao público, algo proibido pela CBF para o Brasileirão, levam a Copa do Nordeste ao coração dos fãs. A “Lampions League”, aos poucos, atrai mais mídia e mais patrocinadores.

O investimento de marcas como a Brahma e a Nivea faz absoluto sentido para quem quer usar o futebol como plataforma de comunicação ao mercado nordestino. A tendência natural é de crescimento nos próximos anos.

Ou seja, como cancelar um evento como esse em prol de um calendário mais sustentável? Muito improvável pensar nesse cenário.

Essa é a realidade do futebol brasileiro, com complexidades regionais de difícil compreensão e ajuste. As enormes diferenças financeiras e culturais levam a tese do calendário europeu ao pó. Do jeito que está, não dá. Mas a solução exigirá uma elevada dose de criatividade.