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Opinião / Duda Lopes

Opinião: Crises de reputação geram insegurança na sustentabilidade do esporte

Duda Lopes, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 05/07/2021, às 10h15

Imagem Opinião: Crises de reputação geram insegurança na sustentabilidade do esporte
Rogério Caboclo (centro) e Marco Polo Del Nero (à dir.), os dois últimos presidentes da CBF
Divulgação

As grandes entidades do esporte brasileiro tiveram, em sua maioria, tanto desdém pela própria imagem que, hoje, gerir essas marcas se tornou uma missão assustadoramente dura. A recuperação envolve um enorme trabalho em longo prazo, o que boa parte da indústria não consegue assimilar.

O caso da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é emblemático. Na última semana, os ex-presidentes Marco Polo Del Nero e Rogério Caboclo trocaram farpas públicas e explicitaram o quão antigas são as crises que envolvem a principal confederação do esporte nacional. E, pior, elas vieram bem antes dos dois. Graças a essa construção de décadas, hoje a imagem da entidade está completamente em frangalhos.

O problema é que, quando a crise passa da imagem para a reputação, a recuperação é demasiadamente lenta. A própria CBF exemplificou isso, ao tentar amenizar as crises anteriores durante a gestão de Caboclo. O efeito frente aos seus stakeholders foi bastante limitado. E completamente implodido após os abalos mais recentes. Claramente, meia dúzia de anos não é suficiente.

Talvez por isso a criação da liga de futebol se tornou unanimidade entre os clubes. Ter uma competição com crédito no mercado em curto prazo parte, necessariamente, do princípio de desassociação à CBF. Não há organização que consiga desenvolvimento sustentável e acentuado, como necessitam as equipes, com um pilar fincado no absurdo histórico de gestão da confederação brasileira.

Não que uma liga faça milagre pela sua simples criação. A nova entidade a ser formada precisará cuidar da própria imagem como poucos agentes da história do esporte nacional, caso queira ser bem-sucedida. Terá que lustrar os pontos de comunicação com cada um dos seus stakeholders, se armar contra possíveis crises e mostrar uma consistência admirável no mercado. Tudo um tanto inédito para a maioria dos agentes do futebol.

Há, no próprio esporte nacional, bons exemplos. O mais claro deles é o da Liga Nacional de Basquete (LNB), que assumiu a modalidade após um cenário de terra arrasada. Os resultados surgiram após alguns anos e foram consistentes. Há ainda espelhos em confederações menores, como a do rúgbi (CBRu), e até mesmo no processo de recuperação que tem passado o Comitê Olímpico do Brasil (COB).

O fundamental é a percepção de que o esporte não pode viver em um mundo à parte em que seja razoável viver de crise em crise. Fatos menosprezados há alguns anos já são inaceitáveis, tanto para o público final quanto para os pares comerciais que compõem o universo esportivo. Cuidar da marca, do modo como ela fala a todo momento, é uma questão de sobrevivência.

Duda Lopes é consultor em comunicação e marketing no esporte e escreve mensalmente na Máquina do Esporte