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Opinião / Bernardo Pontes

Opinião: Dear Mr. John Textor

Qualquer processo de mudança, quando necessário, tem como um dos pilares mais importantes a valorização de quem está dentro

Bernardo Pontes, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 17/02/2022, às 07h29 - Atualizado às 07h31

John Textor, novo dono do Botafogo, anunciou nesta semana o rompimento de todos os acordos comerciais do clube - Divulgação / Botafogo
John Textor, novo dono do Botafogo, anunciou nesta semana o rompimento de todos os acordos comerciais do clube - Divulgação / Botafogo

I apologize that this letter had to be written in Portuguese.

Sua chegada ao futebol brasileiro representa muito para nós, profissionais do esporte, para os torcedores e, claro, para todo o ecossistema do futebol. Ela vai muito além do acordo de gestão com um dos maiores clubes que temos no nosso país. Representa a esperança de que iremos vivenciar uma era de profissionalismo, processos, criação de metas, plano de ação, governabilidade, etc. Em resumo, gestão.

O Case Botafogo que está em suas mãos é um sopro de esperança não só aos alvinegros, mas a toda a comunidade do futebol que torce para que esse modelo se consolide no Brasil.

Isso tudo acontecendo, certamente, teremos cada vez menos política, vaidade, atropelos, falta de alinhamento estratégico e amadorismo.

Nessa semana, no entanto, fui surpreendido com uma notícia que me preocupou.

“John Textor rediscute contratos com patrocinadores do Botafogo e define saída da Volt”

Entendendo um pouquinho de futebol, ouso dizer que 99% dos patrocinadores ficaram sabendo dessa informação pela imprensa. Isso me dá calafrios, porque é amadorismo no estado da arte.

Qualquer processo de mudança, quando necessário, tem como um dos pilares mais importantes a valorização de quem está dentro. Vale citar que as empresas que lá estão apostaram em um Botafogo de Futebol e Regatas na segunda divisão, até mesmo sem expectativa de subida.

O realinhamento das expectativas é necessário? Sem dúvida. O momento do Botafogo é outro, o que faz com que algumas premissas sejam redefinidas? Com certeza.

Meu ponto é a forma como se faz isso.

Com quantos patrocinadores atuais o clube sentou para apresentar o “Novo Botafogo” e, assim, de maneira estratégica e profissional, (re)alinhar o que o senhor espera para os próximos anos?

Essa declaração sua me lembrou um fato recente no Cruzeiro, quando Zezé Perrella criticou publicamente o contrato com a Adidas, uma das maiores empresas esportivas do mundo.

O contrato, mesmo sendo ruim, não dá o direito ao clube de expor o parceiro dessa forma. Até porque um contrato é um acordo bilateral. O patrocinador não impôs aqueles termos.

Isso só descredibiliza o clube, passando uma imagem de desrespeito aos patrocinadores.

Até concordo com a estratégia de escolha de fornecimento do material esportivo visando a comercialização fora do país, mesmo sabendo que você vai se frustrar em algumas etapas desse processo. Mas isso eu aprofundo em uma outra carta.

Por isso, minha expectativa é a de que cada vez mais vejamos iniciativas que nunca (ou raramente) vimos por aqui, e não ações e decisões “top down”, sem nenhum tipo de alinhamento estratégico por trás. Isso é muito comum em clubes que não possuem gestão profissional.

Encerro dizendo que sou um dos maiores entusiastas do seu projeto e que minha expectativa é a de que o Botafogo resgate a representatividade não só no futebol, mas principalmente no peso e na força de uma das maiores marcas do futebol brasileiro.

I wish you and Botafogo the best!

Bernardo Pontes

Bernardo Pontes é sócio na Alob Sports, fundador da SporTeach e escreve mensalmente na Máquina do Esporte