Máquina do Esporte
Facebook Máquina do EsporteTwitter Máquina do EsporteYoutube Máquina do EsporteLinkedin Máquina do Esporte
Opinião / André Stepan

Opinião: Douglas Souza e Rayssa Leal, os campeões olímpicos do Brasil no conteúdo digital

André Stepan, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 29/07/2021, às 10h49

Os Jogos Olímpicos Tóquio 2020 só terminarão no próximo dia 8 de agosto, mas já é possível assegurar que dois atletas brasileiros são medalha de ouro em comunicação digital: o jogador de vôlei Douglas Souza e a skatista Rayssa Leal. Ambos são os grandes destaques nesta edição da Olimpíada no Instagram, a rede social mais utilizada no país.

Entre os dois, Douglas foi o primeiro a estourar em popularidade. Campeão olímpico com a Seleção Brasileira no Rio 2016, o ponteiro chegou a Tóquio com 260 mil seguidores em sua conta do Instagram (@douglasouza). Com um conteúdo autêntico, divertido e mostrando muito dos bastidores da Olimpíada, o jogador explodiu na rede social.

No dia da segunda rodada da fase masculina de grupos, quando o Brasil venceu a Argentina de virada, Douglas já somava 2,7 milhões de seguidores. Com este número, ele se tornou (de longe) o jogador de vôlei mais seguido do mundo no Instagram. Até o brasileiro chegar atropelando, quem ocupava o posto de número 1 na rede social era o levantador iraniano Saeid Marouf (1,9 milhão).

Brasileira mais nova em toda a história a conquistar uma medalha olímpica, Rayssa Leal alcançou números ainda maiores que Douglas. A skatista de apenas 13 anos saiu de Tóquio com uma prata e 5,3 milhões de seguidores a mais em seu perfil no Instagram (quando desembarcou no Japão tinha 600 mil e agora soma 5,9 milhões no @rayssalealsk8).

Assim como Douglas, a carismática Fadinha gerou um conteúdo incrível de bastidores. Com uma linguagem extremamente jovem, ela também explodiu em popularidade no digital. Os números da skatista no Instagram já são muito maiores do que várias lendas da modalidade, como Leticia Bufoni, hexacampeã dos X Games (3,9 milhões de seguidores), Bob Burnquist (735 mil seguidores) e Sandro Dias (126 mil). A fenomenal Rayssa também foi a atleta mais buscada no Google na última semana; e impulsionou a pesquisa pelo skate na plataforma em 1150% após a conquista da medalha de prata.

“Um evento dessa magnitude sem público é algo muito inusitado e, por isso, acaba nos levando a uma experiência muito mais digital. No Brasil ainda soma-se a diferença do fuso horário. Como resultado, o Instagram e o Facebook tomaram esse papel de conectar os atletas com a torcida. O público quer acompanhar os bastidores, a preparação, os jogos. É um momento único de comoção e conexão do país inteiro e atletas como o Douglas e a Rayssa entenderam como aproveitar esse palco nas redes para criar uma ponte direta com suas audiências e cativar o público. Vemos criadores, de todos os tamanhos, crescerem no Instagram diariamente e é realmente incrível observar como os atletas desenvolvem seus conteúdos digitais e estão tomando a frente das suas próprias narrativas, até mesmo para depois que os jogos acabarem”, Felipe Kozlowski, Head de Parcerias do Instagram no Brasil.

O sucesso de Douglas e Rayssa também como comunicadores mostra, mais uma vez, que os atletas se transformaram em verdadeiras plataformas de mídia. Antes da explosão no número de seguidores, já era possível verificar uma série de ativações nos perfis de ambos no Instagram. Com uma audiência muito maior, a procura para campanhas publicitárias deve se intensificar.

A intensificação, aliás, não deve ter ligação apenas com o aumento substancial no número de seguidores, mas também pelos atletas serem representantes de públicos que o esporte brasileiro possui dificuldades para se comunicar (há uma lista enorme de motivos, mas dos mais graves é o preconceito): o LGBTQIA+, já que Douglas se tornou o primeiro jogador da Seleção Brasileira a assumir a homossexualidade – e se posiciona frequentemente contra a homofobia; e as mulheres e os adolescentes, já que a Fadinha empodera ainda mais as mulheres e tem a linguagem certa para falar com as jovens de sua geração.

Que as histórias de Douglas Souza e Rayssa Leal inspirem muitos brasileiros à prática esportiva, o surgimento de novos representantes ativistas das minorias no esporte brasileiro e uma comunicação para todos os públicos em todas as modalidades esportivas do país!

Parabéns, Douglas Souza e Rayssa Leal! Vocês são inspiração e os medalhistas de ouro do Brasil em Tóquio 2020 no conteúdo digital!


André Stepan, jornalista, pós-graduado em marketing esportivo e especialista em comunicação e conteúdo digital.