Máquina do Esporte
Facebook Máquina do EsporteTwitter Máquina do EsporteYoutube Máquina do EsporteLinkedin Máquina do Esporte
Opinião / Luis Ferrari

Opinião: É hora de começar a pensar na volta do público às pistas

Luis Ferrari, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 20/08/2021, às 10h45

Imagem Opinião: É hora de começar a pensar na volta do público às pistas

Nesta semana, o governador João Doria anunciou, em entrevista coletiva, o GP de São Paulo com 100% de ingressos à venda em Interlagos.

A categoria rainha acelerando no Brasil com casa cheia é a senha para os promotores locais começarem a trabalhar o retorno do público às corridas.

O futebol já começou. Com espectadores nas partidas de Flamengo e Atlético-MG pela Libertadores, mostrou o caminho. O primeiro jogo reuniu mais de 11 mil pagantes em Brasília, enquanto o Galo levou mais de 17 mil ao Mineirão para uma renda superior a R$ 2,6 milhões.

No automobilismo brasileiro, a cifra de 10 mil pagantes para acompanhar uma corrida in loco é um número respeitável. Vale também destacar que um autódromo, por sua amplidão, permite distanciamento social bem maior que o de um estádio.

Ou seja, se o futebol já está fazendo e a F1 promete fazer no Brasil, as categorias nacionais também podem começar a pensar em receber de volta os torcedores às arquibancadas com segurança.

Do ponto de vista das ativações de marketing, um dos principais atributos do esporte a motor é proporcionar experiências aos torcedores-consumidores. A pandemia atingiu em cheio essa possibilidade, amputando a plataforma de relacionamento entre os patrocinadores e seus inúmeros públicos de interesse.

O mercado sentiu o baque e, com resiliência, seguiu acelerando para proporcionar entretenimento ao público e exposição de marca aos patrocinadores sem o corpo a corpo com o fã de corrida dentro do autódromo.

Com a vacinação avançando no Brasil e a gradual retomada dos eventos presenciais, o cenário do esporte a motor brasileiro possibilita cogitar operação de arquibancadas, áreas de hospitalidade, visitação dos boxes e ações de voltas rápidas com segurança.

Aqui cabe lembrar ainda que segurança e esporte a motor aceleram lado a lado há mais de um século. São fartos os exemplos de componentes de segurança nascidos nas pistas e posteriormente transferidos aos produtos disponíveis no mercado automotivo. Para citar alguns: espelho retrovisor, cinto de segurança e freios ABS debutaram no automobilismo antes de equipar carros de passeio.

A obsessão por segurança em motorsport decorre diretamente do tamanho do risco envolvido na atividade. Isso incutiu em todos os players da indústria do esporte a motor a importância de cumprir rígidos protocolos, muitos deles inclusive com redundância, com padrões de checklists “importados” do mundo da aviação.

No Brasil, os promotores dos principais eventos de competição com carros de corrida têm histórico na realização de competições seguras, proporcionando grandes experiências aos espectadores e gerando valor agregado às marcas patrocinadoras.

Por isso, merecem o voto de confiança das autoridades públicas e desportivas para trazer de volta o fã às corridas.

Luis Ferrari é sócio-fundador da Ferrari Promo, agência-boutique especializada em RP no esporte a motor, e escreve mensalmente na Máquina do Esporte