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Opinião / Fernando Fleury

Opinião: É hora de o esporte focar nos problemas

Em tempos de mudanças, é preciso parar de focar na solução para aprendermos a focar no problema

Fernando Fleury, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 05/01/2022, às 07h34

Na ânsia de lançar logo um produto, o esporte deixa de lado questões básicas, como a real necessidade por esse novo produto - Divulgação
Na ânsia de lançar logo um produto, o esporte deixa de lado questões básicas, como a real necessidade por esse novo produto - Divulgação

Desde o começo desta coluna, venho defendendo a ideia da importância da inovação no esporte. Acredito, e muito, que o ano de 2022, será o ano de quebrarmos barreiras importantes para que a inovação possa criar âncoras no esporte brasileiro. Porém, para que isso ocorra, é importante que comecemos a identificar os problemas que queremos resolver com a inovação e não apenas identificar soluções que ela possa resolver.

A quebra desse paradigma é importante pois, ao focarmos no problema, podemos planejar a inovação por longos anos. Podemos identificar um exemplo claro disso quando analisamos os motivos que levam startups a quebrarem. Diversas pesquisas mostram que mais de 90% das startups não dão certo, e um dos principais motivos que levam o grande berçário de inovação a não dar certo é a falta de demanda pelo produto criado. Ou seja, ao focar na solução, e não no problema, o empreendedor esquece de perguntar se as pessoas precisam do produto dele.

Fonte: CBInsights 111 Startups que fecharem entre 2018 e 2021

No esporte, o cenário não é muito diferente.

Na ânsia de resolver um problema e lançar logo o produto (ou serviço), muitos times deixam de lado questões básicas, como a real necessidade do mercado por esse novo produto a longo prazo, pensando apenas no benefício a curto prazo.

Vejo isso acontecendo com os Fans Tokens e as SAFs nesse exato momento. Ao invés de os clubes se preocuparem com qual problema será resolvido quando um time passar de Associação para SAF, todos estão focados em ver a solução apontado em ser SAF. Lembrando que os times podiam ser empresas muito antes de a lei atual entrar em vigor.

O mesmo acontece com os Fans Tokens. Todos correm para lançar seus projetos, idênticos em sua maioria, pensando numa solução: dinheiro em caixa rápido. Mas qual o problema que ele pretende resolver? Quase todos prometem engajamento, participações por meio de votações, etc. Mas, em pesquisa recente realizada pela minha equipe, cerca de 65% dizem utilizar os Fans Tokens como investimento e que nem torcem para o time do qual compram o ativo.

Estamos perdendo oportunidades ao focar em soluções e não identificarmos os problemas que queremos corrigir. É por isso que torço para que, em 2022, o esporte foque nos problemas e deixe de lado as soluções.

*Fernando Fleury é fundador da Armatore Market + Science e escreve mensalmente na Máquina do Esporte. Para interagir com o autor: @fleurysportmkt