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Opinião / Erich Beting

Opinião: É hora de se tornar independente das redes sociais

Erich Beting Publicado em 06/04/2021, às 12h04

Imagem Opinião: É hora de se tornar independente das redes sociais
Redes sociais enfrentam uma encruzilhada no mundo e, em breve, isso deve chegar ao Brasil
Divulgação

“Os brasileiros são loucos por mídias sociais. Isso é algo inacreditável”. A frase de Lucas von Cranach, fundador e CEO da OneFootball, foi uma das que mais chamou a minha atenção durante quase 40 minutos de bate-papo que fizemos para a entrevista publicada na Máquina do Esporte. Para Lucas, não existe lógica que as empresas de conteúdo invistam em redes sociais, que é um ambiente sem muito controle e, mais do que isso, que não fornece informações sobre quem é seu público.

A visão do executivo alemão dono de uma plataforma que hoje conversa com cerca de 11 milhões de brasileiros mensalmente somou-se a outra, trazida por Rafael Grostein na entrevista ao Maquinistas, programa semanal de entrevistas do podcast da Máquina do Esporte.

A venda da rede NWB, maior produtora de conteúdo de esportes no YouTube no Brasil, teve por trás uma necessidade que Grostein não vinha conseguindo solucionar: conhecer melhor o público que consome milhões de minutos de seu conteúdo diariamente.

No Brasil, confundimos qual é o papel das redes sociais na estratégia de nossos negócios, especialmente na produção de conteúdo. Elas não são o fim da produção, mas o meio. Responsáveis por promover o fluxo de pessoas para lá e para cá na internet, as redes sociais deveriam funcionar como um terminal rodoviário, concentrando o público e levando-o para os diferentes destinos. O problema é que boa parte dos produtores de conteúdo passaram a fazer dentro das próprias plataformas seu produto, e assim as redes de passagem viraram ponto de destino.

Só que isso causa o entrave que a NWB enfrenta hoje. Maior produtora de conteúdo em vídeo da internet brasileira, a empresa não se relaciona diretamente com o consumidor. A partir do instante em que o YouTube ou o Facebook saírem do ar, acaba qualquer contato direto com o cliente. Sim, é praticamente inviável de isso acontecer, mas as mudanças regulatórias em relação à produção de conteúdo nas redes sociais em alguns países mostram que esse modelo começa a ser repensado.

É exatamente aí que entra a visão da OneFootball. Em vez de usar as redes sociais para falar com o público, ela faz do conteúdo sua principal fonte de atração e retenção de usuário. Logicamente que é preciso ter um grande desenvolvimento de tecnologia para entregar uma melhor experiência ao cliente, mas isso é cada vez mais parte essencial do negócio de quem mexe com informação.

Mais interessante ainda é entender onde o esporte se insere nesse contexto. Ter milhões de seguidores nas redes sociais é tão inútil quanto mensurar tamanho de torcida. É preciso saber quem é o fã e o que ele gosta de consumir. Essa mudança de paradigma já aconteceu na Europa, e o OneFootball é um exemplo disso. Por aqui, o Bahia foi o primeiro clube a criar um projeto nesse sentido.

Começa a chegar a hora de se tornar independente das redes sociais. O passo seguinte, e isso será tema de outra coluna, é a ruptura do modelo de streaming como ele vinha sendo pensado há dois anos.