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Opinião / Kleber Borges

Opinião: É preciso modernizar!

Modernizar estádios é necessário para manter o esporte competitivo, mas como fazer essa mudança?

Kleber Borges, especial para a Máquina do Esporte* Publicado em 27/12/2021, às 09h11 - Atualizado às 09h51

Inaugurado em 2019, novo estádio do Tottenham foi um dos mais recentes a serem erguidos no futebol inglês - Divulgação
Inaugurado em 2019, novo estádio do Tottenham foi um dos mais recentes a serem erguidos no futebol inglês - Divulgação

Vimos, por décadas, clubes e instituições adotarem a ideia do “quanto maior, melhor”, na construção de estádios por todo o Brasil. Estruturas gigantescas e com grandes capacidades de público, para atrair grandes jogos e shows, maximizando os seus faturamentos e demonstrando força política e econômica. Lembro de diversas discussões entre torcedores para saber quem tinha o maior estádio. Mas, com o passar do tempo, novas exigências e novas tecnologias complicaram a vida dos administradores dessas instalações. O grande estádio, motivo de orgulho por sua imponência e poder, passou a ser um fardo nas contas, por seus altos custos de manutenção e operação. Os “gigantes” passaram a se tornar um prejuízo incalculável para os cofres dos clubes e governos.

Para complicar ainda mais, ao final dos anos 2000, vimos a construção e reconstrução de modernos estádios, em sua maioria para a Copa do Mundo de 2014. Até o termo “estádio” saiu de moda... veio a era das Arenas. Instalações tecnológicas, com conforto, segurança e estrutura multiuso.

Aí fica a pergunta: O que fazer para que os antigos gigantes de concreto continuem competitivos?

Primeiramente, os gestores precisam entender a importância de suas instalações e ter a consciência de que precisam se reestruturar. Para isso é necessário planejamento e investimento. Gastar milhões com jogadores, mas esquecer de cuidar do palco do espetáculo é inaceitável.

Começar esse planejamento ouvindo seu torcedor é um fator bastante importante para iniciar esse processo de modernização. É fundamental lembrar que seu estádio faz parte de várias histórias de vida dos seus torcedores. Quantos momentos inesquecíveis de alegrias e tristezas aconteceram em seu estádio? Uma pesquisa poderá lhe ajudar a ter as informações necessárias para iniciar as mudanças sem ocasionar grandes desgastes de opinião.

Sabendo por onde começar, é importante montar um cronograma de reforma e modernização por setores. Esse tipo de processo pode ajudar a ter um planejamento financeiro mais saudável, sem muitas loucuras com suas receitas ou pedidos de empréstimos. Muitos estádios ao redor do mundo começaram suas modernizações por setores. É bem menos traumático para o “torcedor raiz”.

Outro passo importante é entender que seu estádio precisa ser multiuso, e não só ficar preso ao futebol. Novas formas de receita são fundamentais para ajudar financeiramente.

Agora toda modernização ou restruturação vai ser ineficiente se não houver a criação de um programa de manutenção periódico. A falta de manutenção é o maior erro entre os administradores, ocasionando prejuízos incalculáveis e por muitas vezes fatais. Não são poucos os estádios que ainda mantém os famosos e tradicionais funcionários denominados de “faz-tudo”, que normalmente não possuem treinamento adequado e especializado para cuidar do equipamento. A época do “tiozinho” do gramado, que também faz a parte elétrica não é mais aceitável. É a típica situação em que “o barato sai caro”. Acredite que treinar sua equipe ou contratar profissionais especializados é um investimento muito mais seguro e econômico.

Não digo que é preciso ser radical nesse processo de mudança, até porque não passamos por um bom momento financeiro para realizar grandes investimentos, mas que a necessidade de restruturação, reconstrução ou construção precisa ser analisada. A tendência é oferecer maior conforto e segurança ao torcedor, independente de classe social ou setor do estádio.

Modernizar é preciso, para a saúde estrutural e financeira de seu estádio, sem perder sua tradição e história.

* Kleber Borges é presidente da ALAGID (Associação Latino-americana de Gestores e Instalações Desportivas) e escreve mensalmente na Máquina do Esporte