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Opinião / Duda Lopes

Opinião: Eleições, mais uma vez, colocam incertezas no esporte

Independentemente de quem se consagrar para o Planalto, é urgente a aplicação de um plano consistente para o esporte

Duda Lopes, especial para a Máquina do Esporte* Publicado em 04/01/2022, às 08h36

Eleições presidenciais neste 2022 deixam ainda mais nebuloso o cenário para o futuro do esporte nos próximos anos - Divulgação
Eleições presidenciais neste 2022 deixam ainda mais nebuloso o cenário para o futuro do esporte nos próximos anos - Divulgação

A falta de um projeto sólido e consistente para o desenvolvimento do esporte nacional, seja em áreas de saúde, educação ou alto-rendimento, gera ondas de incertezas no segmento e faz com que o ano de eleições seja de muito mais incertezas do que de otimismo.

Os dois últimos governos foram marcados por quedas nos investimentos no esporte. O Bolsa Atleta foi um dos símbolos dessa redução. Além dos valores menores envolvidos no projeto, tanto durante a administração Temer quanto na Bolsonaro, houve atrasos nos editais, fato que deixou atletas de alto-rendimento sem receber por meses.

Outro símbolo da mudança de rumo nas políticas no esporte está nos investimentos das Estatais. Segundo levantou o jornal “Folha de S.Paulo”, as verbas repassadas pelas empresas caíram pela metade em 2019, primeiro ano de Bolsonaro no poder, em relação a 2018.

Em 2021, a comunicação oficial do governo federal chegou a se gabar de ter “economizado” R$ 644,5 milhões ao cortar “patrocínios para grandes empresas esportivas”. O estado alegou que a verba teria sido repassada a atletas, ainda que não tenha sido esclarecido exatamente quais foram os novos caminhos desse recurso.

Bolsonaro, por sinal, foi eleito com um plano de governo bastante simplório em diversos segmentos. No documento publicamente apresentado, não havia sequer citação a uma política de esporte. Após ser eleito, confirmou as expectativas, e o Ministério do Esporte foi extinto. A categoria foi sempre marginalizada sob sua administração, ainda que, publicamente, tenha tentado se associar aos louros dos sucessos de atletas em Tóquio.

Talvez a grande interferência esportiva do atual governo tenha sido a MP do Mandante, projeto de lei na contramão das principais ligas esportivas do mundo, mas abraçado pelo lobby de algumas populares equipes do futebol nacional e pelas empresas de comunicação mais próximas ao presidente da República.

O que fica em 2022 é uma profunda dúvida sobre o que será de 2023. Evidentemente, pode existir uma política de esporte que envolva menos recursos diretos para o alto-rendimento, mas é fundamental que esse projeto exista, seja claro e tenha um caminho a ser trilhado e seguido. Complicada é a ideia de que cortar verba para o esporte é “economia”.

Para o próximo ano, é difícil dizer do que será do Bolsa Atleta ou dos patrocínios da Caixa. Até mesmo o envolvimento estatal no futebol, maior fonte de renda do esporte brasileiro, está sob uma carregada névoa.

Medidas atropeladas, sem projeto ou estudo, são mera perda de tempo. Independentemente de quem se consagrar para o Planalto, é urgente a aplicação de um plano consistente o suficiente para que o governo seguinte não faça grandes alterações e não deixe todo o mercado no escuro. 

* Duda Lopes é diretor da Pivô Comunicação e escreve mensalmente na Máquina do Esporte