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Opinião / Álvaro Cotta

Opinião: Está nascendo uma cultura olímpica no nosso país?

Álvaro Cotta, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 19/08/2021, às 11h03

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O Brasil foi um dos destaques dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Os números mostram isso. Mas será que poderemos aproveitar esse momento para fortalecer uma cultura esportiva olímpica no nosso país?

Após analisar alguns dados, achei melhor organizar essa reflexão em dois campos: o esportivo e o social.

No esportivo, tivemos um recorde de medalhas, terminando na 12ª posição na classificação em Tóquio. Isso deve ser celebrado! O desafio, agora, é melhorar essa performance. Apenas Brasil e Grã-Bretanha conquistaram mais medalhas na edição seguinte aos Jogos realizados no próprio país: o Brasil com 21 medalhas em Tóquio 2020 contra as 19 no Rio 2016. E a Grã-Bretanha com 67 no Rio 2016 contra as 65 medalhas obtidas em Londres 2012.

Analisando os resultados de cinco países – Brasil, Austrália, China, Japão e Grã-Bretanha – desde Barcelona 1992, podemos ficar otimistas com o histórico e a tendência. Todos esses países elevaram sua competitividade olímpica após sediarem uma edição dos Jogos Olímpicos. Em Barcelona, apenas um desses cinco países terminou entre os 10 primeiros – a China, em 4º lugar. Agora, em Tóquio, apenas o Brasil acabou fora dessa lista, em 12º, porém foi o melhor resultado da nossa história.

Reprodução

Quando analisamos os números da tabela abaixo no período de 1992 a 2020, que inclui oito edições dos Jogos, percebemos uma nítida transformação na realidade desses países. A curva, desconsiderando a queda pontual da Austrália e da China no Rio 2016, mostra um crescimento constante e sólido no total de medalhas conquistadas, aumentando a representatividade dessas nações no cenário esportivo mundial. A razão disso provavelmente inclui diversos fatores. Não tenho a pretensão de aprofundar a análise neste espaço e talvez nem tenha a capacidade para fazer uma avaliação técnica. Porém, se observarmos apenas os dados, dá para perceber nessa tendência uma oportunidade para o Brasil continuar evoluindo.

Reprodução

Já no social, apesar do fuso horário, o Brasil acompanhou os Jogos Olímpicos de Tóquio com grande entusiasmo. A população vibrou com as notícias, imagens e transmissões ao vivo pelas televisões aberta e fechada, pelas rádios e, principalmente, pelas mídias digitais e redes sociais.

O Brasil foi o 3º país no mundo com maior engajamento no Facebook. Nossos atletas brilharam ainda mais. Rayssa Leal, medalha de prata no skate street com apenas 12 anos, conquistou o mundo com sua simpatia e carisma, sendo a atleta com mais interações no Instagram e no Twitter, à frente de Simone Biles, a famosa ginasta americana. Além disso, a "Fadinha" também foi campeã em novos seguidores no Instagram, com 5,8 milhões. Além dela, destacaram-se ainda a ginasta Rebeca Andrade, os surfistas Ítalo Ferreira e Gabriel Medina, o canoísta Isaquias Queiroz e os atletas de voleibol Fernanda Garay, Rosamaria, Lucão e Lucarelli.

Novas histórias nos emocionaram ao longo das madrugadas e das manhãs, seja com personagens novatos ou conhecidos. E surgiram novos ídolos em modalidades que estrearam nos Jogos, mesmo que já fossem velhas conhecidas de uma parte do público, como o surfe e o skate.

As novas tecnologias de comunicação podem ser uma arma importante para o Brasil. Somos um dos países com maior engajamento nas redes sociais e certamente seremos uma onda de 200 milhões de torcedores empurrando nossos atletas em Paris 2024 e Los Angeles 2028.

Em 2016, no Rio, recuperamos nossa autoestima e nosso orgulho. Este ano, em Tóquio, acordamos para nossos talentos e nossa capacidade de competir e ganhar. Para 2024, em Paris, passamos a acreditar que podemos mais. Meu desejo é que a cultura esportiva seja, cada vez mais, parte da nossa vida, com o estímulo do poder público e da iniciativa privada. Quanto mais o esporte estiver presente na educação e na formação do povo brasileiro, mais seremos capazes de crescer como nação.

Álvaro Cotta é diretor comercial do Novo Basquete Brasil (NBB) e escreve mensalmente na Máquina do Esporte