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Opinião / Manoela Penna

Opinião: Falar nem sempre é fácil

Manoela Penna Publicado em 09/07/2021, às 09h43

Na era da influência, os atletas têm papel de destaque. Inspiram milhões, pautam manchetes, fazem subir ou descer ações.

Em seu habitatmaior, que são os Jogos Olímpicos, ouvir a voz do atleta falar mais alto do que as arenas imaculadas de marcas sempre deu calafrios aos "donos da bola". Afinal, palco não deve ser palanque.

Os tempos mudam e, com eles, os anseios da sociedade. Há, sim, expectativa em ouvir opiniões mais do que aplaudir gênios que se calam reprimidos.

E, com isso, o Comitê Olímpico Internacional (COI) se viu obrigado a modernizar a chamada "Regra 50" da Carta Olímpica, que pretende zelar pelos Valores Olímpicos de Excelência, Amizade e Respeito e garantir a neutralidade dos Jogos. Ela versa sobre manifestações comerciais, políticas, raciais e religiosas por parte dos atletas no chamado "Games Time".

Em abril de 2021, a Comissão de Atletas do COI ouviu cerca de 3.500 atletas do mundo todo sobre possíveis alterações na "Regra 50". O resultado, chancelado pelo Comitê Executivo da entidade e atualizado na última semana em novo documento batizado de "Regra 50.2", trouxe significativas mudanças que estarão em prática daqui a duas semanas, quando a chama olímpica for acesa no Estádio Olímpico de Tóquio.

Autorizar formalmente atletas a se manifestarem em "mídia impressa ou on-line, zonas mistas, redes sociais, entrevistas coletivas" parece algo que seria natural, até mesmo trivial, mas nem sempre foi assim. Essas são algumas das evoluções apontadas pela "Regra 50.2", que acrescenta ainda uma conquista histórica dos atletas de todo o planeta: agora, eles podem também fazer sua voz ser ouvida dentro do campo de jogo antes do início das competições. Precisarão, é claro, de discernimento e maturidade para saber até onde podem, querem ou devem ir, além de respeitarem os fundamentos do Olimpismo, não direcionarem suas falas direta ou indiretamente contra pessoas, países, organizações e sua dignidade, não serem "disruptivos" (respeitando protocolos oficiais, por exemplo) e estarem em alinhamento às regras de seus Comitês Olímpicos e Federações Internacionais. Isso tudo está no texto publicado.

Confesso estar emocionada com esse momento. E também curiosa para saber o que os atletas farão com essa tal liberdade. Saberemos em breve. Comentarei aqui.

Nos vemos em Tóquio!

Manoela Penna é diretora de comunicação e marketing do Comitê Olímpico do Brasil e escreve mensalmente na Máquina do Esporte