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Opinião / Mundial

Opinião: Fracasso do Palmeiras entrega futebol sul-americano

Duda Lopes Publicado em 12/02/2021, às 00h58

Imagem Opinião: Fracasso do Palmeiras entrega futebol sul-americano

O Palmeiras tinha o sonho de se tornar campeão mundial de 2020, mas encerrou a campanha no Qatar na quarta colocação, sem fazer um único gol na competição. Apesar das brincadeiras dos torcedores, friamente, o time esteve longe de um papelão; ele apenas simbolizou o quanto o futebol sul-americano perdeu relevância dentro do futebol mundial.

Aos fatos. Nos dez Mundiais de Clubes da década de 2010, os sul-americanos não foram à final em quatro oportunidades. Isso mesmo com o privilégio, cada vez mais sem sentido, de entrar na competição direto na semifinal, como os gigantes europeus. Título? Apenas um, com o Corinthians em 2012.

O Palmeiras não fez papelão porque enfrentou clubes financeiramente próximos de sua própria realidade. Enfrentou o Tigres há duas décadas financiado por uma grande empresa de cimento do México, com capacidade financeira suficiente para ter jogadores como o francês Gignac e até mesmo o brasileiro Rafael Carioca, campeão da Copa do Brasil pelo Atlético Mineiro.

Palmeiras não conseguiu superar adversários emergentes no Mundial da Fifa (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Na disputa pelo terceiro lugar, enfrentou uma equipe com folha salarial especulada em R$ 6 milhões. Em comparação, essa é a mesma quantia paga pelo Internacional, líder do Campeonato Brasileiro, a considerar apenas a CLT, sem os direitos de imagem. Com os benefícios, o Palmeiras paga o dobro. Mas longe de se configurar em um abismo.

Abismo está na Europa; o Bayern de Munique tem folha por volta dos 30 milhões de euros, quase R$ 200 milhões.

A situação indica dois problemas do futebol sul-americano. O primeiro é que existe um mercado pouco explorado. Pela tradição, relação com torcedores e mercado consumidor, os times da região deveriam ser mais ricos. Foram décadas de desorganização que fizeram com que o esporte fosse subdesenvolvido, muito simbolizado pela proteção policial em cobrança de escanteio na Libertadores, uma cena corriqueira há até pouquíssimo tempo.

A segunda está na dificuldade técnica. Mesmo com muito mais tradição, não há superioridade tática e nem jovens jogadores com melhor preparo. Algo bem sinalizado pelo Palmeiras que demitiu técnico no meio de temporada e que teve que ir atrás de um europeu para se recuperar nas competições.

As derrotas do time paulista devem gerar uma maior reflexão no futebol de toda a região. Até porque o Mundial historicamente representou o quanto que as raízes sul-americanas podem fazer frente ao dinheiro europeu. Hoje, o torneio aparece muito mais para consagrar times da África e, agora, do México.