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Opinião / Erich Beting

Opinião: Futebol é seguro, mas precisa dar o exemplo

Erich Beting Publicado em 10/03/2021, às 11h40

Imagem Opinião: Futebol é seguro, mas precisa dar o exemplo
O jogador Matías Viña conversa com os analistas de desempenho Tiago Costa e Rafael Costa, do Palmeiras
Cesar Grecco/Palmeiras

O futebol paulista deve ser obrigado a interromper mais uma vez suas atividades por conta da pandemia. Se, há um ano, clubes e a FPF estavam fechados na decisão de parar, hoje o cenário é muito diferente. Estranguladas pela falta de novas receitas, as entidades esportivas temem que uma nova paralisação as obrigue a finalmente fazer o óbvio: rever os calendários de competições, enxugar os torneios e, aí, ter de resolver com as emissoras de TV uma provável queda na arrecadação de sua principal fonte de receita.

O argumento técnico usado pela FPF de que o futebol é um ambiente seguro e que, hoje, não dissemina o Covid entre todos que estão trabalhando nos jogos é uma meia-verdade. Sem dúvida existe um protocolo que tem sido bem adotado pelos clubes paulistas, mas surtos de contaminação seguem a acontecer dentro dos times, tanto que, há uma semana, o Corinthians simplesmente teve uma dezena de jogadores afastados por estarem com a doença.

O futebol, hoje, simboliza exatamente a encruzilhada em que o país se encontra. A pressão financeira tem feito com que a racionalidade de dar primeiro atenção para a saúde seja jogada para escanteio. E, nesse sentido, o futebol precisaria entender o que representa para a sociedade.

Parar o futebol, agora, não é uma questão de saúde e proteção aos atletas. É uma simbologia, o típico exemplo que precisa ser dado para que as pessoas percebam que estamos de fato passando pela mais pesada onda de contágio do coronavírus, já que perder 2 mil vidas em um único dia não parece mais nos abalar a ponto de entender que é preciso voltar para dentro de casa.

O estado de São Paulo apertou as regras de circulação desde o último sábado. As pessoas, porém, continuaram a sair de casa. O comércio segue abrindo as portas, aproveitando a fiscalização frouxa que é regra num país que adora não seguir regras.

Por que as pessoas vão parar o que estão fazendo se algo que é extremamente dispensável de nossas vidas, como o futebol, não parou? Por que é mais importante seguir em atividade os clubes, que pagam milhões a seus funcionários anualmente, enquanto pessoas que se esforçam para ter o que comer no final do mês são obrigadas a interromperem suas atividades e passar a viver na incerteza?

O futebol é um dos maiores símbolos da cultura brasileira. E, por essa razão, precisa dar o exemplo. É hora, de novo, de usar a razão e parar o futebol, mas sem interromper o treinamento dos atletas. Esse é o respiro que os próprios jogadores precisam para descansar depois de uma temporada insana.

E o futebol precisa aproveitar a pausa, dessa vez, para trabalhar numa racionalização do número de jogos num momento em que todos, de alguma forma, sacrificaram seus trabalhos. É hora de o futebol deixar de lado o discurso bonito em posts nas redes sociais para, de fato, ser elemento importante dentro da nossa sociedade.