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Opinião / Bernardo Pontes

Opinião: Inteligência e estratégia na busca por um patrocínio

Um dos grandes desafios do mercado é viabilizar um patrocínio, mas qual é a sua estratégia para vender um projeto?

Bernardo Pontes, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 11/03/2022, às 08h05 - Atualizado às 08h09

Ceará e Fortaleza apresentaram o patrocínio da casa de apostas Betcris nesta semana, em evento no Castelão - Divulgação / Betcris
Ceará e Fortaleza apresentaram o patrocínio da casa de apostas Betcris nesta semana, em evento no Castelão - Divulgação / Betcris

Um dos grandes desafios que temos no mercado esportivo é viabilizar junto ao mercado publicitário o patrocínio para as iniciativas. De patrocínio de clubes a eventos esportivos, de projetos sociais a placa de campo, ou até de equipes de e-Sports a modalidades olímpicas, e finalizando com influenciadores e personalidades esportivas.

O leque de oportunidades existentes é incontável. Diante disso, é fácil constatar que os executivos das empresas são impactados diariamente por essas oportunidades.

Desde que optei por sair do Flamengo e seguir a vida com a minha própria agência, sou procurado por diversos profissionais do mercado pedindo ajuda na captação de patrocínios para tais iniciativas. Meu papel é fazer um filtro supercriterioso e somente dar andamento àquelas propostas relevantes que de fato façam sentido para algum cliente.

Já os departamentos de marketing recebem tantos projetos que mal conseguem parar e analisar aqueles que fazem sentido, marcar uma reunião e dar prosseguimento ao assunto. Acaba que o relacionamento de quem apresenta faz a diferença nesse momento.

Escrevi tudo isso acima para chegar no seguinte: você percebeu que tanto as empresas quanto as agências são impactadas diariamente por diversas iniciativas buscando captação?

Por isso, para você que tem um projeto para apresentar, peço que pare, estude seu projeto e responda algumas perguntas antes de mostrá-lo a alguém:

  • Você tem certeza de que esse projeto que você quer apresentar possui todas as características necessárias para impressionar um executivo de forma positiva?
  • Você confia nesse produto a ponto de achar que, se você estivesse do outro lado, investiria parte do seu bugdet nele?
  • Você já parou para analisar quantos projetos você já mandou pra esse(a) profissional pedindo pra ele(a) “analisar com carinho”?
  • Será que sua credibilidade com ele(a) não está “em baixa” por você mandar toda semana algo que ele(a) não quer?  E que talvez por isso, na hora de você mandar algum projeto que até faça sentido, ele(a) nem abra?

O objetivo do meu texto é despertar nas pessoas essa reflexão. Será que estou usando o relacionamento que tenho de forma inteligente ou estou a cada dia me distanciando desse profissional que pode investir em algum projeto meu?

Use os acessos e o relacionamento de forma inteligente. Entenda o produto que você possui. Analise se esse produto está alinhado com as características que você pesquisou sobre a empresa para quem apresentará determinado projeto.

Vou dar um exemplo prático disso. Em janeiro, tive o prazer de me reunir com o Rafael Montalvão, diretor de marketing da Magalu. Foi uma conversa superagradável. Falamos do mercado esportivo, de oportunidades no segmento e de quais eram os objetivos da marca, entre muitos outros assuntos.

De lá para cá, já recebi mais de 50 projetos em que eu poderia acionar o Rafael para apresentar. Ele certamente me ouviria. Mas sabe em quantos eu fiz isso? Nenhum.

E por que não? Porque não encontrei nenhum projeto em que tivesse a convicção de que o Rafael acharia sensacional. Então, para que vou “queimar esse cartucho”? No dia em que eu procurá-lo novamente, certamente ele me ouvirá.

Estou falando do Rafael, mas poderia ser o Alexandre (da Betano), o Sdei (da Adidas), o Yunes (do Mercado Livre), etc.

Quando tiver a convicção de que seu projeto é sua “bala de prata“, siga em frente. Do contrário, a chance de você não sair do status de “tentando buscar patrocinador” é muito grande.

Bernardo Pontes é sócio na Alob Sports, fundador da SporTeach e escreve mensalmente na Máquina do Esporte