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Opinião / Samy Vaisman

Opinião: Leilão de Bill Russell, a camisa do Fenômeno e Jordan sendo Jordan

Um dos maiores nomes da história da NBA leiloou 429 peças de sua memorabilia para causas sociais

Samy Vaisman, especial para Máquina do Esporte* Publicado em 23/12/2021, às 08h47

Itens que fizeram parte do lote de memorabilia de Bill Russell e foram a leilão nos Estados Unidos - Divulgação
Itens que fizeram parte do lote de memorabilia de Bill Russell e foram a leilão nos Estados Unidos - Divulgação

Uma vez, ouvi de um atleta com quem trabalho: “Orgulho para um atleta não é uma estante cheia de medalhas e troféus, mas a história que ele escreve todos os dias. O mais importante é o legado que se deixa, os exemplos. Meu maior prêmio é saber que inspiro pessoas”.

Se você acompanha a NBA, sabe quem é Bill Russell. Mas, se você não acompanha o basquete dos EUA, uma apresentação breve (por mais que resumir a carreira dessa “Lenda” em três linhas seja impossível): 11 títulos da NBA pelo Boston Celtics, medalha de ouro nas Olimpíadas de Melbourne-1956, membro do Naismith Basketball Hall of Fame e do Hall of Fame da FIBA, e é o nome dele que está no troféu entregue ao "MVP" (Jogador Mais Valioso) das Finais.

Mais do que os troféus, títulos e medalhas, Russell (um dos 50 maiores jogadores da NBA de todos os tempos) tem em sua trajetória uma marca muito forte além das quadras: o combate à desigualdade e a luta contra o racismo, especialmente pelas experiências que viveu na infância pobre ao lado da família. Mas... por que estou falando sobre Russell? Simples. Voltando à citação de abertura deste artigo, Russell é muito mais do que um colecionador de glórias e títulos, mas é também alguém que teve a iniciativa de se desfazer de dezenas de itens importantes de sua carreira: um lote de 429 peças suas de memorabilia foi leiloada em prol de causas sociais, direitos e educação para a população de baixa renda. Um lote valiosíssimo e que carrega boa parte da história do basquete americano.

Coube à casa de leilões Hunt Auctions, da Pensilvânia, no início deste mês, liderar um lote com “joias” da carreira de Russell, como uma camisa usada por Bill em sua última partida oficial (US$ 1,1 milhão), o anel de seu primeiro campeonato e o anel do 11º título na NBA (US$ 559 mil). A medalha de ouro olímpica de 1956 também foi vendida (US$ 588 mil), bem como os cinco prêmios de MVP (combinando para US$ 1,3 milhão). Até Shaquille O’Neal e Charles Barkley (outras duas lendas da NBA) participaram do leilão. Ao final, foram arrecadados US$ 7,4 milhões (cerca de R$ 43 milhões). Parte desse valor será destinado para a Mentor (fundada por Russell) e para a Boston Celtics United for Social Justice, movimento de combate à injustiça racial e desigualdades sociais que tem, inclusive, o apoio dos Celtics.

Para fechar essa última coluna de 2021, duas notas rápidas.

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Leilão da camisa de Ronaldo ao comprar o Cruzeiro

Ronaldo vendeu a primeira memorabília de sua gestão à frente do Cruzeiro. O ‘Fenômeno’ leiloou por R$ 65 mil a camisa celeste número 9 que usou no anúncio da compra de 90% das ações da SAF do clube. Sim, peça de memorabília: um item único, original, autêntico, autografado, que possui um valor afetivo enorme, usada por Ronaldo em um momento tão especial...O valor será destinado à Fundação Fenômenos.

E Michael Jordan segue movimentando o mercado de memorabílias e enchendo o bolso... dos outros. O canhoto de um ingresso de Chicago Bulls vs Washington Bullets, disputado em outubro de 1984, se tornou o ingresso colecionável mais caro da história sendo arrematado por US$ 264 mil (mais de R$ 1,5 milhão). A razão? Estreia de MJ com a camisa 23. Jordan sendo Jordan...

Feliz Natal e Feliz 2022!

Samy Vaisman é jornalista, sócio-diretor da MPC Rio Comunicação (@mpcriocom), cofundador da Memorabília do Esporte (@memorabiliadoesporte) e escreve mensalmente na Máquina do Esporte