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Opinião / Adalberto Leister Filho

Opinião: Libra vive impasse: Tudo (ou nada) pode acontecer

Grupos divergentes ainda não fizeram negociação efetiva sobre divisão de receitas

Adalberto Leister Filho - São Paulo (SP) Publicado em 11/05/2022, às 07h00 - Atualizado às 07h02

Fortaleza, ainda fora da liga, e São Paulo, um dos fundadores da Libra, se enfrentaram no último fim de semana pelo Brasileirão - Rubens Chiri / São Paulo
Fortaleza, ainda fora da liga, e São Paulo, um dos fundadores da Libra, se enfrentaram no último fim de semana pelo Brasileirão - Rubens Chiri / São Paulo

A Libraentrou em mais uma semana decisiva (ou não). Diante do impasse entre os clubes que disputam as Séries A e B do Brasileirão, é impossível dizer como ficará a iniciativa da semana passada dos clubes de São Paulo e do Flamengo de criarem a liga brasileira de clubes. Ninguém discute sobre a necessidade de os times do país montarem a liga, mas há arestas a serem aparadas. E, por enquanto, não houve esforço de entendimento.

Por ora, a Libra conta com apoio de seis times da elite (Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Santos e São Paulo) e três da segunda divisão (Cruzeiro, Ponte Preta e Vasco). O Vasco, que chegou a se reunir nos últimos dias com o grupo Forte Futebol, que reivindica divisão mais igualitária de receitas, decidiu aderir à Libra na segunda-feira (9) à noite.

O grupo dos insatisfeitos já divulgou dois manifestos em quatro dias, sendo que no meio houve o fim de semana, quando as equipes estão mais envolvidas com seus jogos no Brasileirão. Na sexta-feira (6), essa parcela era formada por 15 clubes (oito da Série A e sete da Série B).

Na segunda (9), a primeira versão do manifesto, com reivindicações semelhantes ao anterior, tinha a participação de 30 equipes, mas sofreu esvaziamento em seguida, com as saídas de Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Grêmio, Guarani, Internacional, Novorizontino e Vasco, além da adesão de última hora do América-MG. Com somas e subtrações, esse grupo passou a ter 23 clubes (11 da elite e 12 da segunda divisão).

No manifesto de sexta-feira (6), o pedido era que a proporção do clube mais bem pago para o time com parcela menor fosse de 3,5 vezes. Na segunda-feira (9), a ideia passou a ser que essa divisão acontecesse em uma fase de transição, com o primeiro ano sendo 3,5 vezes (proporção semelhante à da LaLiga, da Espanha) até atingir 1,6 vez (da mesma forma que a Premier League, da Inglaterra).

Esse grupo também quer que a divisão de receitas obedeça a parâmetro semelhante ao da LaLiga (50% igualitária, 25% por desempenho e 25% por engajamento) e não o que o estatuto propôs (40-30-30). No estatuto da Libra, é impossível fazer o cálculo dessa proporção, já que o item engajamento não tem nenhum parâmetro para cálculo. Também não há no estatuto nenhuma regra que impeça um clube de receber seis ou mais vezes que outro, como ocorre hoje no Brasileirão.

Uma forma de atrair a adesão dos times da Série B para esse grupo foi colocar entre as reivindicações que 20% das receitas sejam destinadas à segunda divisão. Pelo estatuto da Libra, essa porção era de 15%. 

Com todos esses fatores colocados na mesa, para se chegar ao entendimento, será necessário que as partes se reúnam, conversem, negociem e que cada grupo esteja disposto a ceder um pouco. Até o momento, isso não aconteceu.

Adalberto Leister Filho é diretor de conteúdo da Máquina do Esporte