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Opinião / Samy Vaisman

Opinião: Memorabília é uma indústria movida pela paixão

Samy Vaisman - Especial para a Máquina do Esporte Publicado em 05/02/2021, às 10h55

Imagem Opinião: Memorabília é uma indústria movida pela paixão

No início do ano, li aqui na Máquina do Esporte um artigo do Felipe Ribbe que falava sobre a venda por meio de leilão de artigos utilizados por atletas em competições oficiais, tendo como exemplo a ação com uma camisa de Zion Williamson (pivô do New Orleans Pelicans/NBA). Essa é uma prática bastante comum fora do Brasil, especialmente nos Estados Unidos onde, muito mais do que um negócio, essa é uma indústria que movimenta milhões - e milhões e milhões - de dólares. É um mercado bem organizado, consolidado e inesgotável, movido por uma moeda muito valiosa: a paixão do fã.

E o esporte vive dessa paixão, da relação entre o fã e seu time do coração, seus ídolos, um elo mantido pelo sentimento e que, claro, se materializa por meio de produtos (oficiais ou não) e, dependendo do poder aquisitivo, da compra de itens mais ‘selecionados/exclusivos’ para uma coleção. Estamos falando de ídolos, referências, de heróis que inspiram por suas atitudes, trajetórias e conquistas.

Não faz muito tempo que um simples autógrafo era algo cobiçado, valioso, uma foto (no papel) ao lado do ídolo era como um troféu. Hoje, são as selfies, que vão parar nas redes sociais ou esquecidas no celular... Num passado não muito remoto, era possível esbarrar com ídolos nos clubes, na saída de ginásios e estádios, no restaurante... Hoje eles parecem longe, aliás, estão longe, uma distância que faz os fãs buscarem outras formas de alimentar essa paixão, um ponto de contato com aqueles que admiram.

O universo de produtos licenciados / oficiais ganhou corpo impulsionado por marcas e pelo marketing. O ‘upgrade’ veio com os colecionáveis (com enorme variedade), que mudam de status e são chamados de ‘memorabília’.

Memorabília do Esporte será lançada em breve
Divulgação

Quando alguém compra um produto licenciado, oficial ou de coleção, leva para casa valores embutidos que fazem (ou deveriam fazer) dele muito especial: emoção, memória, orgulho e história. É isso que o fã busca, é o que espera encontrar. Algumas informações interessantes chamaram a atenção numa pesquisa recente que recebi, incluindo dados que soam como recado para o que está disponível no mercado nacional. ‘Você tem algum item de esportes em casa? Faz algum tipo de coleção?’

De um universo de 200 pessoas ouvidas na pesquisa (no Brasil), 62% indicaram que ‘não compram ou colecionam por falta de opções ou por não encontrarem itens de qualidade’. Nesse mesmo estudo, 27% indicaram que ‘pagariam mais caro por um item autografado’ e 23% por ‘produtos exclusivos’. Concorda com esses números?

Vou endossar a opinião do Ribbe, fazendo uma pequena adaptação no trecho que abriu o seu artigo. ‘Buscar novas fontes de receita é vital para clubes de futebol pelo mundo’. Buscar novas fontes de receita é vital, sim... Mas para o esporte em geral. Temos uma história rica no esporte nacional (e praticamente inexplorada) no esporte e um campo aberto para pensar em ideias, um papel em branco para desenhar projetos e colorir esse universo.

Inspiração e fãs não faltam. Nem paixão.

*Samy Vaisman é co-Fundador da Memorabília do Esporte