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Opinião / Continuidade

Opinião: Mercado não pode depender de "boom" olímpico

Para Duda Lopes, investimento em modalidades não pode ser refém de sucesso nos Jogos

Duda Lopes, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 05/10/2021, às 08h02 - Atualizado às 08h05

Ouro e prata de Rebeca Andrade impulsionaram os praticantes de ginástica artística no Brasil - Ricardo Bufolin / Confederação Brasileira de Ginástica
Ouro e prata de Rebeca Andrade impulsionaram os praticantes de ginástica artística no Brasil - Ricardo Bufolin / Confederação Brasileira de Ginástica

O coordenador geral da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), Henrique Motta, revelou na segunda-feira (4), ao site “GE”, que o Brasil possui hoje 13 mil praticantes da ginástica. É um recorde para a modalidade no Brasil. O motivo, claro, foi o sucesso de Rebeca Andrade e companhia nos Jogos Olímpicos de Tóquio, encerrados há cerca de dois meses. Após o evento, somente o ginásio de Guarulhos, local que revelou a medalhista de ouro, recebeu 300 novas crianças.

Durante e após a disputa de Tóquio 2020, a ginástica não esteve sozinha na empolgação do público. No surfe, foi registrado aumento na procura por aulas. A busca por pranchas para a prática do esporte aumentou em 46% no site OLX. Com o skate, a Netshoes chegou a registrar um acréscimo de 80% na venda de artigos relacionados à modalidade. Nas ruas das grandes cidades, brotaram skatistas.

As modalidades compõem exemplos de esportes que não têm tanta constância na mídia, mas que carregam consigo um enorme carinho do público brasileiro. E que, portanto, precisam apenas de gatilhos para se mostrarem populares. No caso de uma vitória em Jogos Olímpicos, o “boom” se torna natural e esperado.

Existe um senso comum que direciona o mercado esportivo a um monopólio do futebol, mas as três modalidades explicitam o quanto existem esportes com enorme apelo popular, além de possuírem uma capacidade única de mobilização. Torcedores brasileiros mantêm alto engajamento nesses esportes, o que, na prática, se traduz em venda concreta.

O problema – e erro – é que o mercado, de forma geral, se concentra nos momentos de gatilho. Tanto mídia como patrocinadores aproveitam as altas para novas ações, mas costumam se recolher em seguida. Claro que é mais fácil e seguro fazer a aposta após uma medalha olímpica. O equívoco acontece quando há o recuo posterior, que costuma cair mais uma vez no discurso de “país de um esporte só”.

As procuras pós-Tóquio mostram que existe uma considerável boa vontade de muitos brasileiros com algumas modalidades, que vai muito além da empolgação por uma medalha. E, se existe esse engajamento tão facilitado, por que não o utilizar em ações, eventos e ativações, independentemente dos Jogos Olímpicos?

Há perdas de grandes oportunidades quando marcas ficam na dependência de resultados olímpicos. Não são todas as modalidades, mas existem diversas que parecem naturalmente viver no coração dos brasileiros. Com isso em mente, vender por meio do esporte se torna uma missão muito mais simples. As medalhas servem apenas de reforço a esse gosto. 

Duda Lopes é consultor em comunicação e marketing no esporte, e escreve mensalmente na Máquina do Esporte