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Opinião / Raridades

Opinião: Mercado quente: relíquia de Sir Bobby, tocha de Tóquio e "cueca" de Jordan

Setembro foi um mês agitado no mundo das memorabílias esportivas com raridades no mercado

Samy Vaisman, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 28/09/2021, às 07h47 - Atualizado às 08h03

Lote com camisa do Manchester United autografada por Bobby Charlton foi arrematado por £ 392 mil (R$ 2,9 milhões) - Reprodução
Lote com camisa do Manchester United autografada por Bobby Charlton foi arrematado por £ 392 mil (R$ 2,9 milhões) - Reprodução

Enquanto o esporte ferve com o novo (e promissor) mercado de NFTs, a indústria de memorabília esportiva pegou fogo no mês de setembro. Apesar de entender o enorme potencial dos colecionáveis digitais, sou daqueles que ainda preferem os "objetos de verdade", aqueles que pegamos nas mãos, que colocamos no acrílico, expostos na estante, que possuem uma história "real". Nada contra os entusiastas dos "virtuais".

Setembro foi um mês agitado no mundo das memorabílias esportivas. Duas notícias ganharam destaques especiais: um lote de itens históricos do futebol inglês, descrito pelo leiloeiro Graham Budd como "uma incrível variedade de tesouros", e o inusitado arremate de uma peça íntima de Michael Jordan. Além disso, o anúncio de um raríssimo exemplar original da tocha dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, à venda no mercado informal, também chamou atenção.

Bryan Horsnell, um carteiro aposentado de 82 anos, inglês fanático por futebol, decidiu colocar à venda uma coleção cheia de histórias e itens bastante valiosos. O lote, com peças do início da década de 1960, continha cerca de 200 peças, entre elas medalhas da Copa da Inglaterra de 1966, programas oficiais de jogos, e camisas usadas pela lenda britânica Bobby Charlton. Um dos itens mais cobiçados era a camisa 9 vermelha do Manchester United, relíquia autografada por Sir Bobby. Após duas horas de disputa entre colecionadores, o valor de venda do lote foi de £ 392 mil (R$ 2,9 milhões).

Com valor mais "modesto", mas também rara, uma tocha olímpica original dos Jogos de 2020 foi anunciada no eBay pela bagatela de US$ 24,6 mil (cerca de R$ 138 mil). Não é difícil encontrar exemplares de tochas de outras edições olímpicas, basta uma simples procura, mas a japonesa é "filha única" no site. A pandemia inflacionou preços dos itens de memorabília do evento asiático, especialmente porque, ao contrário de outros anos, desta vez não houve leilão de itens oficiais.

Mas cabeça de colecionador também não é algo muito fácil de se entender. É claro que tudo pode ter (e tem) um valor, mas há horas em que me surpreendo com os limites da criatividade e do desejo. Estava terminando de escrever esse artigo quando li que uma peça de vestuário de Michael Jordan havia sido arrematada num leilão por pouco menos de US$ 3,5 mil (perto dos R$ 18 mil).

Tudo que envolve Jordan sempre tem uma repercussão enorme, mas achei estranho o número, porque qualquer camisa ou tênis do astro geralmente alcança cifras absurdas (como esta de North Carolina, vendida em maio por R$ 7,2 milhões, ou esta do Chicago Bulls, que alcançaria perto de R$ 1 milhão na cotação de hoje). Mas não era uma camisa ou um tênis e, sim, uma bermuda térmica usada (que alguns portais identificaram como uma cueca) entregue para leilão ao site "Lelands" por John Michael Wozniak, um ex-segurança de Jordan da época do icônico documentário "The Last Dance" (1998).

Em breve, outras peças cedidas por Wozniak, como gravatas, ternos e camisas de Jordan, estarão disponíveis em novos leilões. Por mais esquisito que seja, foram 19 lances de interessados na peça.

É ou não é inexplicável o que se passa na cabeça de certos colecionadores?

Samy Vaisman é jornalista, sócio-diretor da MPC Rio Comunicação (@mpcriocom), cofundador da Memorabília do Esporte (@memorabiliadoesporte) e escreve mensalmente na Máquina do Esporte

linkedin.com/samyvaisman