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Opinião / Duda Lopes

Opinião: Mudança de imagem do esporte precisa de esforço coletivo

Clubes, ligas, confederações e ONGs não podem se ver como pilares individuais ou mesmo concorrentes

Duda Lopes, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 05/11/2021, às 06h35

Escândalos envolvendo entidades máximas do esporte, como a FIFA, criaram histórico caótico - Reprodução
Escândalos envolvendo entidades máximas do esporte, como a FIFA, criaram histórico caótico - Reprodução

Existe um discurso recorrente que ronda e assombra o mercado esportivo brasileiro. Para diversos setores da sociedade, seja entre fãs, observadores distantes ou grandes executivos das principais marcas, as entidades do esporte são antros de amadores, corruptos e incompetentes. Clubes são bagunçados, confederações são obscuras.

Para quem trabalha dentro do esporte, as impressões de terceiros são extremamente irritantes porque não poderiam estar mais longe da realidade. Ao contrário. Ao longo dos últimos anos, diversas entidades têm apostado cada vez mais em processos profissionais e transparentes. Elas vencem, diariamente, esse preconceito e conseguem fazer um trabalho sério, funcional e sustentável.

Evidentemente, ainda sobram maus exemplos. A questão é que o esporte não é uma ilha na economia nacional. Um mínimo de experiência com empresas, sejam elas grandes ou pequenas, é suficiente para saber que marcas de outros setores também sofrem com más gestões, com amadorismos e com condutas que estão longe das melhores práticas. Como em qualquer setor, existem casos nas duas pontas.

O esporte, no entanto, amarga um histórico caótico, que chegou ao teto com escândalos que envolveram aquelas que deveriam ser as entidades máximas do esporte, casos de FIFA e UEFA. Além de, evidentemente, ser um segmento de interesse público. Um escândalo em um clube que fatura R$ 300 milhões ao ano é capa de jornal. A má gestão de uma empresa no mesmo patamar de ganhos não é nem nota de rodapé. A impressão que fica é que só o esporte carrega problemas.

Mudar essa imagem é prioridade do segmento. A sensação de caos que ronda o esporte afasta torcedores e, principalmente, patrocinadores. Mas a falta de esforço conjunto atrapalha esse caminho. Afinal, a ideia de bagunça generalizada também aflige os gestores de entidades esportivas.

O que se vê, na prática, é o uso de transparência como diferencial, não como ferramenta obrigatória e cotidiana. É fácil de compreender: as boas gestões querem marcar seus territórios dessa maneira. Mas, do jeito individual de se posicionar, elas se mostram isoladas, o que acaba reforçando que o esporte, de maneira geral, não funciona de maneira honesta.

Algumas iniciativas surgiram nos últimos anos para suprir a necessidade de um esforço em conjunto. A mais notável delas foi o “Pacto pelo Esporte”, que resultou no Rating Integra. A estratégia foi eficiente para apontar alguns bons exemplos, mas, ainda restrita entre as entidades esportivas, manteve o reforço de exceções.

O esporte ainda é um mercado pequeno, mas com enorme potencial de expansão no Brasil. Driblar ideias preconcebidas sobre esse segmento é o passo seguinte após mudar concretamente o modo de geri-lo. Mas clubes, ligas, confederações e ONGs não podem se ver como pilares individuais ou mesmo concorrentes. Uma gestão de imagem em conjunto é o melhor passo para acelerar as tão necessárias mudanças. 

Duda Lopes é consultor em comunicação e marketing no esporte, e escreve mensalmente na Máquina do Esporte