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Opinião / Ricardo Fort

Opinião: As mulheres no esporte

Esporte parece ignorar a necessidade e a obrigação de oferecer condições iguais para as mulheres

Ricardo Fort, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 11/11/2021, às 06h52

Marta é um dos maiores exemplos para meninas que sonham em seguir carreira no esporte - Reprodução
Marta é um dos maiores exemplos para meninas que sonham em seguir carreira no esporte - Reprodução

A indústria do esporte é desproporcionalmente masculina. Quem joga, quem treina, quem apita, quem transmite, quem comenta, quem entrevista, quem vende, quem patrocina, quem compra e vende jogadores, quem advoga, quem investe e quem empreende, e os que gerenciam as agências. O esporte no Brasil é um clube onde as mulheres raramente são aceitas.

O resultado é igualmente evidente e triste: o esporte feminino não é exibido, meninas crescem com poucas referências de atletas mulheres e não praticam nem assistem esportes com a mesma frequência dos meninos.

Enquanto muitas indústrias se esforçam para equilibrar seus quadros de funcionários e conselhos administrativos, o esporte parece ignorar a necessidade e a obrigação de oferecer condições iguais para as mulheres. Isso não só é moralmente errado, mas também é burro do ponto de vista dos negócios.

Os executivos do esporte ignoram metade dos potenciais atletas, metade da audiência da TV, metade dos leitores, metade das medalhas, metade da força de trabalho e mais da metade do potencial de consumo.

Nos meus mais de 25 anos trabalhando em grandes empresas no Brasil e no exterior, principalmente na área de patrocínios, tive a sorte de conhecer muitas profissionais talentosas que escolheram o esporte como profissão. São líderes de agências e de veículos de comunicação, donas de startups do esporte, investidoras e muitas outras. Hoje, elas ocupam posições de liderança nessa indústria e podem influenciar muitas outras jovens profissionais a seguir o seu caminho.

Pensando nisso, resolvi aceitar o convite da SporTeach, uma nova plataforma de ensino a distância focada no esporte recentemente lançada no Brasil (que coincidentemente tem o apoio da Máquina do Esporte), para contar a história destas mulheres do esporte. O conteúdo pode ser visto em uma série de entrevistas realizadas com dez convidadas.  

Em cada episódio, uma delas conta de forma aberta como chegou à posição que ocupa, o que fez para se preparar, como se mantém informada e relevante nesse mercado tão competitivo, como é o seu dia a dia, as dificuldades de trabalhar em uma indústria em que as mulheres ainda são uma minoria, e por que vale a pena fazer o que elas fazem.

Quem assistir às entrevistas conhecerá a Rafaela Pimenta, advogada e agente brasileira mais envolvida com o futebol internacional. Baseada em Mônaco, ela é responsável, entre outras coisas, pelas carreiras de estrelas globais como Paul Pogba, do Manchester United e da seleção francesa; Erling Haaland, do Borussia Dortmund e da seleção norueguesa; Gianluigi Donnarumma, do Paris Saint-Germain e da seleção italiana; e dezenas de outros craques.

Em um outro episódio, conversei com a Roberta Ferreira, executiva da TV Bandeirantes que lidera a área comercial do esporte da Band. No seu trabalho, ela é responsável por criar programas e pacotes comerciais para promover e monetizar os muitos direitos da emissora. Nos seus 20 anos nessa indústria, parte deles na Rede Globo, Roberta foi responsável por nos apresentar muitos esportes e atletas que hoje fazem parte da nossa vida esportiva.

Já a Maria Laura Nicotero, que, além de CEO, é proprietária da operação brasileira da Momentum, uma das maiores agências de comunicação 360 do mundo, falou sobre seus critérios para contratar novos funcionários e como é a rotina de trabalho com seus muitos clientes. Falamos também do seu papel no “Women to Watch” e sua atuação diária na criação e promoção de uma equipe com mais diversidade.

Além dessas três profissionais incríveis, você ainda poderá ver outros papos com mais sete profissionais, como a Sandrelise Chaves, fundadora e diretora de estratégia e ecossistemas de inovação da SporTI, e a Marcia Cintra, que é associada ao Gávea Angels & Consultora.

O objetivo deste projeto é inspirar mais mulheres a escolherem o esporte como profissão. A administração do esporte pode ser muito melhor, e o caminho passa necessariamente pela inclusão de mulheres nos campos, quadras, escritórios e onde mais elas queiram estar. Espero que, no futuro, tenhamos muito mais Rafaelas, Robertas, Marias Lauras, Sandrelises, Marcias, etc. Todos ganharão com isso.

Os cursos da SporTeach são pagos e podem ser acessados neste endereço. O “Mulheres no Esporte”, entretanto, é um projeto voluntário. Toda a receita será doada para um projeto social que incentive meninas a praticar esportes. Vale a pena conferir.

Ricardo Fort é CEO da consultoria Sport by Fort e escreve mensalmente na Máquina do Esporte