Máquina do Esporte
Facebook Máquina do EsporteTwitter Máquina do EsporteYoutube Máquina do EsporteLinkedin Máquina do Esporte
Opinião / Júlia Vergueiro

Opinião: Mulheres também prometem dar show nos Jogos Paralímpicos

Júlia Vergueiro, especial para Máquina do Esporte Publicado em 10/08/2021, às 10h38

Imagem Opinião: Mulheres também prometem dar show nos Jogos Paralímpicos

No próximo dia 24 de agosto, será dada a largada para os 13 dias de competição dos Jogos Paralímpicos de Tóquio. Assim como nos Jogos Olímpicos que se encerraram no último domingo (8), a expectativa é de vermos muitas atletas mulheres brilhando nos pódios da capital japonesa.

O Brasil leva ao Japão a maior delegação para Jogos Paralímpicos fora do país, com 40% de mulheres entre os atletas convocados: são 136 homens e 93 mulheres. O Planejamento Estratégico do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) é ficar no Top 10 do quadro de medalhas, assim como na última edição, quando conquistamos o 8º lugar.

Para saber mais sobre o que esperar das nossas atletas nesses jogos, conversei com uma grande amiga que conhece muito bem os sacrifícios e recompensas da vida de uma atleta de alta performance: Letícia Ferreira, atleta paralímpica, medalhista mundial de natação.

Lê, o Brasil vai com 93 atletas mulheres a Tóquio. Você acha esse número bom?

Eu acho ótimo! E vejo que a tendência é aumentar.

As mulheres estão descobrindo que sua força pode ser também física e que isso pode transformar a sua vida e de seus familiares. Com os resultados, vêm os investimentos, patrocinadores, parceiros e, consequentemente, a vida melhora. Esporte é sinônimo de positividade, potência, poder e conquista de liberdade física e emocional.

Acredito fortemente que um dia, não muito distante, seremos maioria. E quanto mais estivermos à frente das delegações, mais meninas e mulheres com e sem deficiência vão querer estar no mesmo lugar.

A sua modalidade, a natação, é a que convocou a maior quantidade de atletas jovens. No total, 12 nadadores têm menos de 23 anos. A que você atribui essa renovação? Isso te dá esperança de termos mais medalhas nos próximos ciclos?

Sem dúvida essa renovação é resultado do aumento considerável da exposição do esporte paralímpico na mídia, e também da maior atuação dos atletas em redes sociais.
O posicionamento das pessoas com deficiência vem aumentando e mostrando que o esporte não é a única alternativa para uma PCD, é uma ótima alternativa!

E os jovens estão ligados nisso, atentos ao que seus ídolos fazem e fizeram no esporte. E eles querem dar continuidade à história que ícones como Edênia Garcia, Joana "Peixinha", Clodoaldo Silva e Daniel Dias escreveram nas raias do mundo inteiro.

A identificação, a representatividade, tudo isso faz essa transformação acontecer no olhar de cada criança com deficiência que vê uma grande marca associada a atletas paralímpicos.

O que o torcedor brasileiro pode esperar das nossas atletas mulheres nesse Jogos?

É complicado destacar nomes em uma competição. Tudo pode acontecer. Então, meus favoritos guardo no coração. Minha torcida declarada é para que todas essas mulheres competentes em suas modalidades mostrem o melhor resultado.

O torcedor brasileiro pode esperar no mínimo um show de desempenho e demonstração de habilidades que foram lapidadas dia após dia em cada sessão de treinamento. Nossas atletas estão preparadíssimas! E não se esqueçam: a deficiência é apenas um detalhe.

Fugindo das modalidades mais conhecidas, qual nome você destacaria para ficarmos de olho?

Lara Aparecida de Lima. Uma jovem atleta do levantamento de peso. Ela levanta mais do que o dobro do peso dela! Acho isso demais! E ela é daqui de Uberlândia (MG).

O que você pode falar sobre os desafios e conquistas de ser mulher, mãe e atleta? Qual a sensação de representar o seu país em um torneio internacional e ser vista como símbolo de performance e sucesso?

Os desafios femininos estão presentes em qualquer profissão exercida por mulheres. Depois que me tornei mãe, eles aumentaram, pois vem a questão: "tenho que viajar para competir, e como minha filha vai lidar com essa ausência?".

Por outro lado, essa mesma situação de conciliar tarefas de casa e rotina materna com o treinamento de alto rendimento e competições internacionais torna ainda mais evidente o potencial de SER MULHER!

Minha carreira e meus resultados deixaram um legado incrível aqui na minha cidade. Meu ex-clube no qual fui precursora da equipe paralímpica de natação está hoje em Tóquio com seis atletas e um treinador.

Letícia Ferreira competindo na Fase Regional do Circuito Brasil – Brasília, 2020. Foto de Saulo Cruz.

Júlia Vergueiro é sócia-presidente do Pelado Real FC, fundadora da Nossa Arena e escreve mensalmente na Máquina do Esporte