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Opinião / Fernando Fleury

Opinião: O esporte e o blockchain: muito além dos Fan Tokens

Futuro do esporte passa pelo entendimento da alta tecnologia, e um clube sem área de inovação será como jogar sem atacante

Fernando Fleury, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 23/11/2021, às 10h05

Blockchain não é criptomoeda, mas sim um sistema de gravação descentralizado e transparente - Reprodução
Blockchain não é criptomoeda, mas sim um sistema de gravação descentralizado e transparente - Reprodução

O futuro do esporte está muito além dos Fan Tokens. Passa pelo entendimento da alta tecnologia, entre elas o blockchain e suas mais variadas possibilidades. Um clube sem área de inovação será como jogar uma partida sem atacante.

Na minha última coluna, falei um pouco sobre o universo dos Fan Tokens e o motivo de eu não os ver como uma plataforma de engajamento. Porém, é importante ressaltar que a tecnologia por trás do Fan Token permite ações que vão muito além de como eles são usados. E é sobre isso que vou falar um pouco nesse mês: o blockchain.

Pessoalmente, acredito que o blockchain é benéfico para a indústria do esporte. Principalmente se conceituarmos essa tecnologia no paradigma da rede, permitindo uma estrutura descentralizada, fechada e densa. Dessa forma, o blockchain dará a quem usa enorme capacidade de desenvolver novas receitas, melhorar o gerenciamento de dados, a comunicação com os torcedores e muito mais à medida que a trilha digital na indústria se intensifica e se torna cada vez mais complexa.

Mas, antes de falarmos de blockchain, vamos descontruir um problema. Blockchain não é criptomoeda. Blockchain é um sistema de gravação descentralizado e transparente. De forma resumida, é um conjunto de blocos de informações agrupados por várias transações em uma rede ponto a ponto. Normalmente, vemos isso como uma movimentação financeira, e por isso a dificuldade de ver a tecnologia aplicada fora das criptomoedas.

Mas pense, por exemplo, em um produto se movendo pela cadeia de abastecimento, dados sendo armazenados em um banco de dados e por aí vai. Quando os blocos são criados, iniciando a transação, eles se tornam inalteráveis, eliminando o risco de manipulação por um usuário. Depois que um é criado, todo o processo cessa, com a solicitação de transação inicial concluída também. Esse é, de forma rasa, o segredo por trás do blockchain.

E como aplicar o blockchain no esporte além dos Fan Tokens?

Acredito que existem muitas áreas que podem se utilizar dessa tecnologia. Na verdade, já vejo pequenos testes sendo feitos em alguns lugares com resultados promissores. Na indústria do turismo e do entretenimento, por exemplo. Emissão de bilhetes e reservas, rastreamento de bagagem, controle de estoque, gerenciamento de credenciamento, programas de fidelidade e pagamentos digitais são alguns dos exemplos em que o blockchain vem sendo usado e promovendo mudanças bem interessantes no mercado.

Considerando o contexto de gestão, marketing e comunicação do esporte, existem algumas adoções simples que poderiam ser realizadas para incorporar a tecnologia blockchain na atual estrutura de ingressos do esporte profissional. Não seria difícil, embora possa exigir muitos recursos a curto prazo para fazer essa mudança.

Processos de bilhetagem por meio de tecnologia blockchain podem ser úteis para evitar falhas tecnológicas, mercados secundários desregulamentados (cambistas), além de aprimorar a experiência do consumidor, entre muitas outras possibilidades. Outro ponto, até para gerar valor para as criptomoedas desenvolvidas pelas equipes, seria os times aceitarem suas próprias moedas ou BTC (bitcoin) em transações comerciais dentro dos estádios, lojas, lojas virtuais, etc.

Esses movimentos têm a capacidade de gerar novos fluxos de receita e aumentar a fidelidade dos fãs simultaneamente, além de automatizar registros e demonstrar maior transparência e boa governança para as partes interessadas.

Como estudante e entusiasta da questão de interação com os fãs, vejo no blockchain e, por consequência, no NFT possibilidades diversas para criarmos ações que permitam dar algo único para os fãs. Seja via camisas, ingressos ou diversos outros produtos que poderão ser transformados em ativos digitalizados e protegidos. Porém, para isso, vejo como fundamental sairmos do conceito que os Fan Tokens criaram de que a base acaba sendo a remuneração financeira (na minha visão, e deixo margem para o debate saudável) para pensarmos no conceito de experiências.

NFTs colecionáveis, por exemplo, são um caminho interessante. Principalmente se acompanhados de ações que permitam sair do mundo virtual, sendo transformados em experiências reais. A graça dos NFTs é a possibilidade de se criar uma espécie de escassez digital verificável. Ou seja, temos a garantia de construir algo único, ou com a quantidade de unicidade que queremos, para com isso criar valor monetário e também emocional.

Nas próximas semanas, falarei um pouco mais sobre o assunto nas minhas redes. Se você estiver interessado, me acompanhe por lá: @fleurysportmkt

Fernando Fleury é fundador da Armatore Market + Science e escreve mensalmente na Máquina do Esporte