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Opinião / Fernando Fleury

Opinião: O novo petróleo

Fernando Fleury, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 28/06/2021, às 10h44

Imagem Opinião: O novo petróleo
Data é o novo petróleo foi frase escrita pelo matemático Clive Humby
Reprodução

Em todas as reuniões, ou a maioria das reuniões que faço, sempre alguém da mesa gosta de proferir a frase “dados são o novo petróleo”. Ela não deixa de ser verdadeira, mas solta, assim, no ar, não tem 0,1% do seu real valor.

A frase “data is the new oil”, no português “dados são o novo petróleo”, foi criada por Clive Humby, um matemático especializado em dados. O ponto que grande parte das pessoas esquece é a continuação da frase. Humby afirma que o dado é muito valioso, mas, para se ter um melhor uso, precisa ser bem refinado, tal qual o petróleo, e analisado.Em suma, dados por si só podem significar absolutamente NADA!

Com isso em mente vamos falar um pouco de consumo, o tema central dessa coluna.

Nos últimos anos, as mudanças tecnológicas influenciaram significativamente a natureza do consumo, à medida que a jornada do cliente passou por uma transição para incluir mais interação em plataformas digitais, que complementa a interação em lojas físicas. Esse processo já vinha acontecendo, e a pandemia acabou por acelerá-lo.

No mundo do esporte, nosso ponto focal neste espaço, isso não aconteceu. É muito diferente. Sem jogos presenciais, por longo tempo, diversos esportes se viram obrigados a (re)inventar conceitos e quebrar lógicas e paradigmas para atrair ou manter o torcedor perto do clube de alguma forma. Erra quem acha que estamos falando, necessariamente, de engajamento. Poucos clubes ou entidades esportivas, no mundo, conseguem realmente engajar o torcedor.

Essas mudanças abriram portas para começarmos a falar dos diferentes estágios da jornada do cliente. Ou seja, analisar comportamento de maneiras que não estavam disponíveis anteriormente. Os avanços tecnológicos não apenas mudaram a natureza do consumo, mas influenciaram significativamente os métodos usados ​​na pesquisa do consumidor, adicionando novas fontes de dados e ferramentas analíticas aprimoradas. A adoção de métodos contemporâneos na análise de dados do consumidor é lenta. Muitas entidades esportivas não conseguem entender seus consumidores tão bem quanto desejam e ainda não entendem que o investimento gerado por tal conhecimento será pago no futuro pelo tal petróleo.

Assim, os clubes podem até achar que têm o petróleo na mão. Mas é importante avisá-los que não. Esse petróleo está na camada de pré-sal e poderá ser alcançado por quem tiver boas ferramentas para isso. E quem, principalmente, souber refiná-lo.

O futuro do petróleo será sempre questionado pelos avanços da ciência de dados. Métodos científicos e análise de dados para extrair valor dos dados, big data, inteligência de marketing, mineração de dados, aprendizado de máquina, inteligência artificial e análise preditiva, entre outros termos, fazem parte do cotidiano de quem está sempre buscando entender o consumidor.

Como falei em minha primeira coluna: não existe esporte sem torcedores e sem consumo. Sim, poderá, num futuro, existir esporte sem atletas. Acredito em esporte praticado por máquinas. Mas o consumo será sempre feito por pessoas reais. E, essas, estão sendo cada vez mais estudadas e analisadas por todos. Prever o comportamento do consumidor nunca será fácil, muito menos simples, mas será questão de sobrevivência.

Fernando A. Fleury é fundador da Armatore Market + Science e escreve mensalmente na Máquina do Esporte. Para segui-lo nas redes sociais: @fleurysportmk