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Opinião / Bastidores

Opinião: O que mudaria com a Nova Liga de Futebol?

Para Ricardo Fort, futebol seria mais democrático, competitivo, lucrativo e justo

Ricardo Fort, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 13/09/2021, às 09h20

Nova Liga aumentaria muito as chances do nosso futebol crescer dentro e fora dos campos - Reprodução
Nova Liga aumentaria muito as chances do nosso futebol crescer dentro e fora dos campos - Reprodução

Estamos em março de 2022, e a Nova Liga de Futebol do Brasil está criada. Apesar de muita gente ter achado improvável (ou impossível), no final todos os envolvidos chegaram a um acordo. A Nova Liga é muito diferente da forma com que o futebol era administrado no Brasil até 2021. Essas foram as principais mudanças:

  1. A Liga tem um sócio investidor.

O potencial da Nova Liga Brasil atraiu investidores que aportaram bilhões de reais em troca de um percentual dos seus direitos comerciais futuros. Os recursos, que começaram a ser pagos em 2022, serão distribuídos durante três anos (2022, 2023 e 2024).

  1. Os clubes não estão mais tão endividados.

O aporte financeiro do investidor ajudou os clubes a diminuirem suas dívidas de curto prazo. Uma consultoria financeira os auxiliou na renegociação com os credores, e os pagamentos foram feitos imediatamente.

  1. Princípio de transparência absoluta.

Os critérios de alocação do investimento inicial e a maioria dos documentos da Liga estão disponíveis no portal da Nova Liga. Qualquer torcedor pode ver de onde veio e para onde foi cada centavo que passou pela Liga e pelos clubes. A mesma transparência se aplica para a estrutura administrativa da Liga, onde o organograma e todas as funções e pessoas têm seus perfis disponíveis na internet.

  1. Administração independente.

A Liga tem um CEO e uma administração profissional e independente. Os profissionais, contratados das melhores empresas e organizações esportivas no Brasil e no exterior, têm experiências diversas e um profundo conhecimento de negócios, do Brasil e do futebol.

  1. Novos critérios de governança.

As decisões são baseadas nas necessidades dos torcedores, dos clubes e do negócio; as auditorias são frequentes, e foram criadas comissões com representantes dos clubes e outros membros independentes (com mandatos limitados). Os processos decisórios são claros e públicos, assim como as regras de relacionamento com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), CONMEBOL e FIFA (que governam o papel e a influência de cada uma nas decisões). A Liga torna-se uma entidade com fins sociais e comerciais, muito menos política. Executivos são contratados ou demitidos de acordo com o seu desempenho profissional.

  1. Mudanças no calendário.

O Campeonato Brasileiro passa a ser mais longo e é jogado principalmente aos domingos. As datas FIFA são respeitadas, e o campeonato é interrompido para que os clubes possam ceder seus jogadores. Há uma pausa entre os meses de junho e julho para descanso e eventuais amistosos internacionais. As competições continentais são jogadas nos meios de semana.

  1. Mudanças no produto futebol.

Com a centralização dos direitos de televisão, digital e patrocínios, é possível oferecer ao mercado nacional e internacional melhores pacotes comerciais. O melhor produto permite atrair grandes marcas, e o faturamento cresce exponencialmente beneficiando todos os clubes.

  1. São criados outros produtos centralizados para aumentar as receitas dos clubes.

Foi criado uma central digital em que torcedores podem comprar ingressos, produtos oficiais licenciados e pay-per-view, além de tornar-se sócio-torcedor, investir em tokens do seu clube e muito mais. Tudo no mesmo lugar, de forma segura, simples e rápida.

  1. Todos os interessados estão representados.

A Liga cria comissões onde representantes da televisão, imprensa, torcedores, executivos de clubes, jogadores, árbitros, patrocinadores, etc. estão representados. As comissões levam em conta representatividade de gênero, geográfica, etc. para garantir que todos os pontos de vista sejam considerados.

Em resumo, todas estas mudanças aumentarão muito as chances do nosso futebol crescer dentro e fora dos campos. Ele será mais democrático, competitivo, lucrativo e justo.

Para tornar estes pontos realidade, será necessário muito trabalho. Mas isso pode ser feito. Depende de cada um de nós e de todos nós querermos o bem coletivo. A hora de mudar chegou.

Ricardo Fort é fundador da Sport by Fort Consulting e escreve mensalmente na Máquina do Esporte