Máquina do Esporte
Facebook Máquina do EsporteTwitter Máquina do EsporteYoutube Máquina do EsporteLinkedin Máquina do Esporte
Opinião / Reginaldo Diniz

Opinião: O que o futebol pode aprender com a Fórmula 1?

Reginaldo Diniz, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 19/05/2021, às 10h59

Imagem Opinião: O que o futebol pode aprender com a Fórmula 1?
Futebol pode aprender com Fórmula 1 como promover o entretenimento para recuperar base de clientes
Foto Montagem/End to End

Gostaria de iniciar este artigo fazendo um exercício de memória. Você se lembra, quando era adolescente ou criança, de como o país parava para assistir à Copa do Mundo? E nas últimas edições do campeonato, notou alguma diferença? Infelizmente, é verdade: o brasileiro vem perdendo o interesse pelo futebol. E, se não fizermos algo para mudar, a tendência é esse número cair cada vez mais.

Segundo pesquisa realizada no segundo semestre pela Nielsen Sports, o Brasil não é mais o “país do futebol”, considerado apenas o 13º mais apaixonado pelo esporte no mundo. Alguns dos motivos podem ser o jejum de títulos mundiais pela seleção brasileira, o alto valor dos ingressos nas novas arenas e a ida de ídolos e referências precocemente para o exterior.

Na Europa, o problema também persiste. De acordo com a Associação dos Clubes Europeus (ECA), 13% dos jovens entre 16 e 24 anos declararam “odiar o futebol” e 27% não têm nenhum interesse nesse esporte. Para o estudo, as causas podem ser a preferência por outros esportes (principalmente o e-Sports); partidas muito longas; falta de emoção e de um ambiente favorecendo a inclusão e a diversidade.

Recentemente, a Fórmula 1 passou pelo mesmo dilema. Entre 2008 e 2016, a modalidade perdeu ⅓ da audiência global. Ainda em 2016, foi comprada pelo Liberty Group por US$ 8 bilhões, liderada pelo americano Chase Carey, ex-executivo da 21st Century Fox. E, como vocês bem sabem, os americanos sabem promover o entretenimento como ninguém!

Algumas estratégias adotadas para virar esse jogo foram investir em jogos de videogame e engajamento nas redes sociais, além de criar uma série na Netflix (2019) denominada “Formula 1: Drive to Survive”. O resultado foi incrível: em apenas um ano, houve 77% de aumento no interesse do esporte em pessoas de 16 a 35 anos (46% do total) e 36% de incremento de seguidores nas redes sociais, atingindo 73 milhões de torcedores.

Além de despertar curiosidade, os serviços de streaming também podem afetar positivamente a comercialização de produtos e serviços, como demonstrou a série “The Last Dance”, a respeito da última temporada vitoriosa de Michael Jordan na NBA. Segundo a loja oficial do campeonato no Brasil, houve um crescimento de 650% em vendas de materiais relacionados ao Chicago Bulls durante o lançamento dos episódios.

Todas essas estratégias são válidas para aumentar o interesse do fã pelo esporte e acrescento mais três, principalmente pensando nos jovens torcedores de futebol: segurar os talentos em nosso país por mais tempo; pensar na venda de produtos e serviços de acordo com o que está “na moda”; e a internacionalização da marca.

Serão esses os melhores caminhos para converter/manter uma torcida? Sempre defendi a bandeira de que devemos estar onde o consumidor está. Então a resposta é sim, principalmente para os serviços de streaming! Já imaginou uma série, todos os anos, sobre o Campeonato Brasileiro, contando com a colaboração das TV dos 20 clubes? Dá trabalho? Lógico que dá… Mas qual obra-prima não dá?

Até a próxima!

Reginaldo Diniz é cofundador e CEO do Grupo End to End e escreve mensalmente na Máquina do Esporte