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Opinião / Romulo Macedo

Opinião: O que podemos aprender com a Super Liga?

Romulo Macedo, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 17/05/2021, às 03h16

Imagem Opinião: O que podemos aprender com a Super Liga?

O fracasso da Super Liga da Europa e a posterior onda de protestos dos torcedores ingleses contra os donos dos seus times evidenciam alguns problemas crônicos do futebol: a dificuldade dos clubes de conhecer, se colocar no lugar e dialogar com o seu torcedor.

Para entendermos melhor essas dificuldades devemos levar em consideração que os clubes de futebol, em muitos casos, são entidades centenárias que hoje se tornaram grandes marcas mundiais, movimentam vultosas quantidades de dinheiro e carregam uma multidão de torcedores. Essas conquistas foram amparadas, quase na sua totalidade, em decisões tomadas exclusivamente a partir da visão e desejos dos seus dirigentes, sem nunca se aproximar e abrir um diálogo com seu torcedor. Como podemos perceber, esse modelo funcionou por muito tempo e trouxe os clubes até onde estão hoje.

Acontece que a Transformação Digital modificou para sempre as relações de consumo. Ao mesmo tempo em que o avanço tecnológico permite novos modelos e maneiras de fazer negócios, a tecnologia também é a principal ferramenta de empoderamento dos indivíduos. Possibilidades de dar nota por produtos e serviços, acesso em tempo real a informações, maior interação entre marcas e pessoas e usos dos nossos dados para mapear o nosso comportamento e oferecer exatamente o que desejamos são alguns exemplos de como a tecnologia “metamorfoseou” as nossas relações de consumo.

Torcedores ingleses protestam contra a criação da Super League
Getty Images

Desta maneira, chegamos à Era da Individualização, onde muito mais que conhecer os seus produtos, as marcas devem conhecer profundamente cada um dos seus clientes, chamá-los pelos seus nomes e oferecer os melhores produtos e serviços que se adequem aos seus desejos e necessidades. Para quem ainda acha que essa necessidade de individualização é uma grande besteira, basta observar o ranking 2020 das marcas mais valiosas do mundo, da Revista Forbes, em que as cinco primeiras colocadas são: Apple, Google, Microsoft, Amazon e Facebook. Não à toa todas elas são do setor de tecnologia, capazes de usar sua Inteligência de Negócios para conhecer profundamente os seus consumidores, personalizar o atendimento e encantar os seus clientes.

Voltando ao mundo do futebol, nos deparamos com clubes que por mais de cem anos nunca tiveram que conversar com a sua massa de torcedores, agora tendo que encarar indivíduos singulares, onde cada um tem suas necessidades distintas e desejos de reconhecimento perante ao seu clube do coração.

Mas como os clubes podem fortalecer seus laços, conhecer melhor e dialogar efetivamente com os seus torcedores? A resposta está em um conceito chamado Fan Centric (torcedor no centro). Ou seja, estabelecer uma série de estratégias, ferramentas e ações para conhecer muito melhor o seu torcedor, saber seus comportamentos e necessidades e principalmente para que todas as decisões internas sejam tomadas pensando de que maneira ela irá impactar no relacionamento e experiência do torcedor.

Na Fan Experience 360 trabalhamos para ajudar clubes, estádios, federações e Ligas a se tornarem entidades Fan Centric e podemos constatar que essa mudança cultural empresarial, além de ser bastante trabalhosa, requer também muita paciência e persistência das lideranças, afinal de contas não se muda a cultura de uma instituição da noite para o dia. Mas a transformação sempre começa com conhecimento, um desejo latente e um pontapé inicial.

Sem dúvida entidades esportivas que conhecem profundamente o seu torcedor dialogam com transparência e se preocupam de verdade com as necessidades e desejos individuais da sua torcida, tomam decisões muito mais assertivas e agradáveis, demonstrando uma empatia fundamental para reter e conquistar novos fãs nos dias de hoje.

Romulo Macedo é Sócio-Fundador da Fan Experience 360 e escreve mensalmente na Máquina do Esporte