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Opinião / Samy Vaisman

Opinião: O valor de uma medalha olímpica

De um jeito ou de outro, uma medalha olímpica tem o seu preço, seja aquele valor inestimável, subjetivo, cujas cifras não se pagam com dinheiro, seja o preço que um colecionador “faminto” se dispõe a bancar diante de uma oportunidade

Samy Vaisman, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 30/08/2021, às 12h46

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Quanto vale uma medalha olímpica?

“Não tem preço”, muitos irão responder.

Uma pequena fortuna, quando adquiridas em leilões oficiais ou vendas informais pela internet.

De um jeito ou de outro, uma medalha olímpica tem o seu preço, seja aquele valor inestimável, subjetivo, cujas cifras não se pagam com dinheiro, seja o preço que um colecionador “faminto” se dispõe a bancar diante de uma oportunidade.

Uma medalha olímpica é resultado de vidas dedicadas ao esporte, conquistada com esforço, renúncia, suor, entrega. E a imensa maioria dos atletas não é recompensada com um pódio nos Jogos. Mas não são apenas os esportistas que cobiçam uma medalha: atualmente, elas são encontradas com frequência em sites e casas especializadas em memorabilia esportiva todos os dias, vendidas por preços irreais - e surreais.

A memorabilia esportiva é um negócio que movimenta muito dinheiro. Só nos EUA, foram mais de US$ 5,4 bilhões em 2020. Grandes eventos como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos ajudam a “puxar para cima” esses números, movimentando o mercado, criando interesse e atraindo cada vez mais colecionadores, com vendas e leilões de itens, artigos oficiais e peças únicas usadas nas competições. E as medalhas estão entre os objetos mais desejados pelos colecionadores.

Pouco antes do início dos Jogos de Tóquio, uma raríssima medalha de prata de Atenas 1896 (primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna) foi vendida pela casa RR Auction (Boston-EUA) por mais de R$ 1 milhão (US$ 180 mil), bem acima dos esperados R$ 400 mil (US$ 75 mil) e bem mais acima do valor financeiro das medalhas dos Jogos de Tóquio*. À época, os campeões receberam medalhas de prata e, aos vice-campeões, foram entregues medalhas de bronze. Não houve premiação para os terceiros colocados.

Independentemente da cor do metal, uma medalha tem o poder de transformar vidas, de elevar atletas à condição de heróis, eternizando feitos, abrindo portas, atraindo marcas, gerando novas receitas e embutindo ao esportista um sobrenome para o resto da vida: Fulano de Tal Medalhista Olímpico. Falando apenas dos brasileiros, imaginem quantas mudanças terão as vidas de medalhistas como Rayssa Leal, Ítalo Ferreira, os baianos do boxe, a dupla feminina do tênis e a ginasta Rebeca Andrade...

Muitos acabam ficando apenas com o sobrenome, vendendo ou se desfazendo do bem material por um desapego (forçado ou não) em razão de iniciativas sociais, beneficentes ou na tentativa de amenizar dificuldades financeiras. Bill Russell, “lenda” da NBA, 11 vezes campeão da liga com o Boston Celtics, anunciou o leilão da medalha de ouro que conquistou em Melbourne 1956 quando foi capitão da seleção americana. Parte do valor arrecadado será destinado a uma instituição de caridade.

Wladimir Klitschko, ucraniano campeão mundial de boxe, leiloou a medalha de ouro que conquistou em Atlanta 1996, arrecadando US$ 1 milhão (R$ 5,65 milhões). O valor foi destinado a um orfanato, e o comprador ainda devolveu a medalha a Klitschko. A prata de Atlanta 1996 da brasileira Cláudia Pastor, ex-atleta de basquete, também foi vendida, mas para custear o tratamento de saúde do filho. Ficaram as lembranças olímpicas, as imagens da conquista e, mais do que isso, a alegria em ver o filho curado.

Cada medalha tem a sua história, uma história que não acaba quando ela é pendurada no peito. Paga-se um preço alto por uma medalha olímpica, do sacrifício à conquista. Mas o valor depois do pódio é imensurável.

*Ah, claro, tem o valor financeiro real das medalhas olímpicas: a peça de ouro de Tóquio (apenas 6g do metal além dos mais de 500g de prata) tem valor estimado em US$ 800 (R$ 4,5 mil), enquanto a de prata supera os US$ 450 (R$ 2,5 mil) e a de bronze (feita de cobre e zinco) não chega a US$ 200 (pouco mais de R$ 1 mil).

Samy Vaisman (linkedin.com/samyvaisman) é jornalista, sócio-diretor da MPC Rio Comunicação (@mpcriocom), cofundador da Memorabília do Esporte (@memorabiliadoesporte) e escreve mensalmente na Máquina do Esporte