Máquina do Esporte
Facebook Máquina do EsporteTwitter Máquina do EsporteYoutube Máquina do EsporteLinkedin Máquina do Esporte
Opinião / Conhecimento

Opinião: Olimpíada é diferente de Jogos Olímpicos

Olimpíada de Paris já começou, e a espera, agora, é pelos Jogos Olímpicos de 2024

Manoela Penna, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 29/09/2021, às 08h34

Olimpíada é o período de quatro anos entre cada edição de Jogos Olímpicos - Reprodução
Olimpíada é o período de quatro anos entre cada edição de Jogos Olímpicos - Reprodução

Parece a mesma coisa, mas não é. Olimpíada é o período de quatro anos entre cada edição de Jogos Olímpicos, a medida de tempo que os gregos antigos (iniciando em 776 a.C) usavam para datar esses eventos. E isso quer dizer muita coisa.

Quer dizer, principalmente, que os Jogos Olímpicos são construídos durante a Olimpíada. Nesses quatro anos “invisíveis”, recordes são forjados, jogadas ensaiadas e parcerias lapidadas. Enquanto as cidades-sede se preparam com infraestrutura e equipamentos esportivos, técnicos traçam estratégias e equipes multidisciplinares usam e abusam da ciência do esporte para conhecer cada detalhe que pode fazer a diferença na performance de um atleta. São quatro anos de muito trabalho, muito suor, muita inteligência e, claro, muito sonho. Ou alguém acha que a medalha de ouro do canoísta Isaquias Queiroz foi conquistada somente naquele 7 de agosto em Tóquio?

Continuando na raia do Sea Forest Waterway, para transformar o histórico 12º lugar de Lucas Verthein, no remo, em medalha não existe mágica. Existe dedicação. No dia 8 de agosto, data da Cerimônia de Encerramento no Japão, ele já estava competindo – e vencendo – a prova de single skiff na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Quatro dias depois de chegar de Tóquio.

O desafio de todo o sistema olímpico é fazer marcas, mídia e público enxergarem isso. Quanto mais apoio, quanto maior a visibilidade, quanto mais intenso for o engajamento com os fãs, mais suave será a jornada de equipes e atletas. É preciso investimento. Há um potencial enorme de “storytelling”. É o momento ideal para se legitimar as relações entre empresas e atletas/entidades. Sim, a vida durante a Olimpíada é encantadora.

No Brasil, especificamente, coexistimos com uma distorção que não é a realidade de outros tantos países como o Canadá, com quem estamos palmo a palmo na disputa continental e olímpica. Aqui, enquanto os Jogos Olímpicos de Inverno não têm a mesma projeção dos de Verão (sim, eles são realizados dois anos após os Jogos de Verão; em 2022, vamos a Pequim), há ainda o agravante de, justo nesse momento, vermos o país mobilizado pelo hexa na Copa do Mundo (em 2022 também vamos ao Catar, afinal). Isso desvia o investimento de patrocinadores, confisca o espaço na imprensa e arrebata a atenção da sociedade.

Mas o mundo olímpico segue girando.

A Olimpíada de Paris já começou. E que venham os Jogos Olímpicos de 2024!

Manoela Penna é diretora de marketing e comunicação do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e escreve mensalmente na Máquina do Esporte