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Opinião / Mônica Esperidião

Opinião: Os eventos esportivos estão de volta… mais femininos?

Linha do tempo do World Football Summit comprova crescimento das mulheres no universo do futebol

Mônica Esperidião, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 21/10/2021, às 09h34 - Atualizado às 09h46

World Football Summit 2021 marcou a retomada dos encontros presenciais no mundo do business do futebol - Mônica Esperidião
World Football Summit 2021 marcou a retomada dos encontros presenciais no mundo do business do futebol - Mônica Esperidião

Dois anos se passaram, e o mundo do business do futebol voltou a se encontrar presencialmente no World Football Summit 2021 (WFS21). E o melhor: foi em um estádio de futebol, ao ar livre, com o gramado ali do nosso ladinho e uma arquibancada todinha para que nós pudéssemos sentar e desfrutar do negócio do futebol de um outro ponto de vista.

Ao invés de falar das jogadas, sofrer com uma defesa, comemorar um gol ou xingar o juiz, nestes dois dias no Wanda Metropolitano, em Madri, falamos de tecnologia e inovação, governança e compliance, redes sociais e conteúdo, futebol feminino e ascensão das mulheres em um mercado dominado pelos homens.

E claro que será sobre estes dois últimos pontos meu destaque relacionado ao WFS21 na minha coluna deste mês. O objetivo é mostrar como a modernização do futebol pode estar genuinamente ligada à ascensão da mulher nesse mercado, dentro e fora das quatro linhas.

Frequento o WFS desde a sua segunda edição, em 2017, quando fui com toda a minha sala do Master em Marketing Esportivo da Escola Universitária do Real Madrid - Universidade Europeia. Naquela ocasião, confesso que não me lembro muito bem da presença de muitas mulheres palestrando no evento.

Já em 2018, meu segundo ano no WSF, eu já tinha não só terminado o master, mas também criado a WES (Women Experience Sports), minha agência que trata de assuntos relacionados à inclusão e diversidade na indústria do esporte junto às outras duas únicas mulheres que fizeram o mesmo master que eu em uma sala com pouco mais de 20 alunos. Nós fomos a este evento com o propósito de dar visibilidade às mulheres e entrevistamos 20 delas, entre palestrantes, moderadoras, expositoras e também as que foram lá só para assistir ao evento.

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Atalia Barbuzano, Laura Georges e Mônica Esperidião

Depois, em 2019, uma vez mais em parceria com o WFS, as portas foram abertas para que, por meio da WES, pudéssemos dar voz a elas. Mas neste ano, a coisa começava a mudar de figura. Já existiam mais mulheres presentes nas mesas de debate, não só jornalistas como moderadoras de debates masculinos, além de uma mesa de futebol feminino no auditório principal do evento que contou com a presença de grandes mulheres do cenário internacional.

Conversamos dessa vez, entre outras, com Laura Georges, secretária geral da Federação Francesa de Futebol (FFF); Aline Pellegrino, coordenadora de competições femininas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF); Karina LeBlanc, head de futebol feminino da CONCACAF; Alexandra Gómez, assessora jurídica sênior da FIFPRO; e Ebru Köksal, chair da Women in Football.

Em 2020, veio a pandemia e o WFS se uniu ao ex-jogador Ronaldo para realizar o WFS Live. Dessa vez, participei de uma mesa sobre o futebol feminino no Brasil com Aline Pellegrino, Tamires, Carolina Vallim de Melo e Helena Calil. Neste evento on-line, novos nomes femininos presentes no mercado masculino do esporte participaram de debates que não eram só relacionados ao futebol feminino, como Assia Grazioli-Venier, cofundadora do Muse Capital e membro do Comitê Executivo da Juventus, e Victoire Cogevina Reynal, cofunfadora da Gloria App, entre outras. 

Finalmente chegamos em 2021 e, nesta edição que marcou o retorno aos gramados, queria destacar as mulheres incríveis que pude conhecer. Uma delas foi Nora Henriksson, gerente geral da Media Monks, empresa que atualmente trabalha com a FIFA na produção de conteúdo sobre futebol feminino. Ela me contou sobre a importância deste projeto que, em certa medida, foi um diferencial para o crescimento da comunidade de futebol feminino nas redes sociais, colaborando para o aumento do valor dos direitos de imagem e patrocínios.

Também conheci Arianna Criscione, ex-goleira do Paris Saint-Germain e diretora de futebol feminino na N3XT Sports, que, além de compartilhar a opinião da Nora Henriksson sobre a autenticidade do futebol feminino ainda ser um dos grandes valores da categoria, defendeu a melhor comercialização deste produto como um todo. Arianna relatou que 90% dos ingressos no futebol feminino são feitos, na verdade, em prestação de serviços e que isso precisa mudar para que seja sustentável.

Por fim, também conversei com Mariana Gutierrez, diretora da Liga Feminina do México. Além de ter recebido o prêmio de "Melhor Iniciativa de Futebol Feminino" em 2021, Mariana também participou de uma mesa bem interessante sobre o potencial do futebol feminino com a UEFA e o DAZN, e dividiu sua opinião sobre as diferenças que enxerga entre o fã do futebol masculino e o fã do futebol feminino. Tenho que concordar com ela: do lado masculino, você tem os torcedores obcecados por um time, já do lado do feminino, você tem torcedores apaixonados por uma causa.

Mônica Esperidião com Nora Henriksson (esquerda), Arianna Criscione (centro) e Mariana Gutierrez (direita)

Mais um destaque desta edição do WFS foi o anúncio da Associação Espanhola de Mulheres, Executivas e Esporte, que propôs um plano de iniciativas que visa promover a inserção de mais mulheres no cenário esportivo espanhol, em cargos de tomadas de decisão dentro de clubes e entidades esportivas, como alternativa para um ecossistema mais sofisticado e diverso. 

Nesta apresentação, tive a oportunidade de perguntar como eles pretendem alcançar estes objetivos e como as mulheres podem se associar a esta iniciativa. Como resposta, recebi não só um convite para fazer parte deste desenvolvimento, como também nos contaram sobre as parcerias com universidades por meio de bolsas para mulheres, assim como a abertura de mais vagas nos clubes e entidades para mulheres, como sendo algumas das iniciativas previstas no plano da associação.

Associação Espanhola de Mulheres, Executivas e Esporte foi anunciada no WFS21

Depois de contar toda essa linha do tempo, espero que tenha sido possível mostrar essa relação entre a modernização do futebol com a entrada de mais mulheres nesta indústria. Como o próprio WFS demonstra, essa evolução acontece pouco a pouco, quando dá mais protagonismo a elas a cada nova edição, algo que há apenas alguns anos simplesmente nem passava pela cabeça dos organizadores. 

Eu vejo o futebol feminino como alternativa para a retomada da autenticidade deste esporte que para nós é religião. E você?

Mônica Esperidião Hasenclever é especialista em gestão e marketing esportivo, cofundadora da WES e tem como propósito promover a visibilidade da mulher e a inclusão da diversidade em todos os âmbitos e áreas de esporte. Ela escreve mensalmente na Máquina do Esporte.