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Opinião / Erich Beting

Opinião: Palmeiras pode ter encontrado fórmula para o sucesso

Erich Beting Publicado em 08/03/2021, às 03h35

Imagem Opinião: Palmeiras pode ter encontrado fórmula para o sucesso
Danilo, um dos jogadores das categorias de base do Palmeiras em 2020, com o troféu da Copa do Brasil
Reprodução Twitter/Palmeiras

O Palmeiras encerrou, neste domingo, uma de suas mais vitoriosas temporadas da história. O ano arrastado e atrasado por conta da pandemia do Covid foi encerrado com a conquista da Copa Continental do Brasil e a primeira “tríplice coroa” da história do clube, com as somas dos títulos do Campeonato Paulista, ainda em agosto de 2020, e da Conmebol Libertadores, no último 30 de janeiro.

Para além da celebração dentro de campo, o Palmeiras conseguiu implementar, em 2020, uma mudança de filosofia dentro do clube que pode mudar sua história para sempre. Os gols do título da Copa do Brasil foram marcados por Wesley e Gabriel Menino, jogadores formados na categoria de base e que, neste ano, foram alçados para a equipe profissional.

Já tinha sido assim na conquista do Paulistão, com o gol do título marcado no pênalti cobrado por Patrick de Paula, outro jogador que subiu da base para o profissional. Na Libertadores, Danilo deu um passe magistral para o início da jogada do gol de Breno Lopes.

A base que sustentou o Palmeiras em sua temporada fantástica é, também, responsável pela redução de custos com manutenção do elenco que foi, desde 2015, o mais caro do Brasil. Nos quatro anos em que Alexandre Mattos esteve à frente do time, o Palmeiras usou a base que vinha ganhando tudo para ser negociada ao exterior e manter uma equipe mais “experiente” – e cara – dentro de campo no profissional.

Em 2020, numa política para redução de custos, o Palmeiras mudou a estratégia. Passou a olhar mais para a base e a negociar alguns atletas que significavam custo alto de manutenção. Colocou a geração jovem para jogar e, tal qual uma empresa que aposta em sua equipe de trainee para liderar renovações de áreas, conseguiu resultado de forma rápida e consistente.

Curiosamente, o uso das categorias de base no futebol brasileiro não costuma ser uma realidade de clubes que estão com o fluxo de caixa fortalecido. O Palmeiras decidiu fazer essa mudança de filosofia num momento em que reduzir gastos era importante, mas não essencial como passou a ser com a pandemia.

A fórmula que acabou dando resultado pode acabar se consagrando num Palmeiras que sempre foi conhecido por nunca revelar grandes jogadores a não ser goleiros. Agora, com a comprovada eficácia do investimento na categoria de base também dentro de campo, o clube pode iniciar uma era revolucionária para o próprio futebol brasileiro.

Foi essa a grande transformação feita pelo futebol alemão durante a primeira década dos anos 2000, quando os clubes passaram a investir na formação de atletas e a exigir a escalação de jogadores formados nos times para ampliar a oferta de jovens talentos para o futebol no país.

Em 2014, a conquista da Copa do Mundo pelos alemães marcou a consagração de uma mudança de cultura dentro do país, que passou a ser um dos maiores celeiros de grandes talentos para o futebol.

Por aqui, o jogador talentoso nasce a cada esquina. O problema é que, por décadas, os clubes preferiram investir em atletas de renome e usar a base para exportar o talento precocemente para a Europa e fechar a conta no final do ano.

O Palmeiras mostrou que a base, muito mais do que solução para o fluxo de caixa, pode ser usada para trazer retorno dentro de campo. Esse, aliás, é um retorno muito mais valioso no médio prazo. Os títulos às vezes chegam por obra do acaso, mas uma base vitoriosa raramente deixa de render frutos no profissional.