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Opinião / Romulo Macedo

Opinião: Profissionais que fazem o Brasil brilhar

Romulo Macedo, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 24/08/2021, às 10h53

Disputar os Jogos Olímpicos é o ápice na carreira de um atleta, e para nós, que trabalhamos com esporte e não somos atletas, podemos dizer que estar nos Jogos também nos torna de alguma maneira Olímpicos.

Eu me senti orgulhoso de trabalhar na minha quarta edição dos Jogos Olímpicos, Tóquio 2020, ao lado de tantos brasileiros. Em quase todas as áreas do Comitê Organizador, transmissão dos jogos, empresas terceirizadas e até no Comitê Olímpico Internacional (COI) tinham brasileiros em posição de destaque. Dando o sangue e colocando em prática toda a sua experiência, profissionalismo e extrema competência.

De fato, a mão de obra brasileira está valorizada no mercado de eventos mundial. Nos principais eventos e federações esportivas do mundo, iremos nos deparar com alguém falando a nossa língua, liderando o planejamento e a operação.

A era de ouro do esporte, com a realização dos principais eventos esportivos do mundo, somada à nossa capacidade de adaptação, trabalho em equipe e foco no resultado, colocam o profissional brasileiro em uma posição privilegiada para desempenhar qualquer função no mercado esportivo e de eventos.

O profissional brasileiro está, desde 2007, com a realização dos Jogos Pan-Americanos no Rio, sendo formado e adquirindo experiência para fazer a diferença em qualquer área do mercado esportivo. Pouquíssimas pessoas no planeta têm a vantagem de ter um currículo tão recheado de eventos esportivos importantes quanto nós.

Mas o que acontece aqui no nosso próprio país que muito dessa mão de obra não é aproveitada? Por que temos que fazer carreira em eventos fora do Brasil? O que falta para as confederações, federações, clubes, estádios, etc. enxergarem o mesmo que as grandes entidades do mundo já conseguiram perceber?

Parece que o ditado "santo de casa não faz milagre” está sendo aplicado no mercado esportivo nacional. Infelizmente, existe uma miopia pela necessidade de modernização das entidades esportivas do país.

Áreas como operações de imprensa, serviço ao espectador, relações internacionais, entretenimento, protocolo, fan engagement, operações, etc., que seriam bem-vindas em muitas instituições esportivas nacionais, ainda não são encaradas com a sua devida importância e, por isso, são subdesenvolvidas.

Esses e muitos outros departamentos deixaram de ser supérfluos e passaram a ser atividades fundamentais e complexas no ecossistema do esporte, não cabendo mais espaço para a ideia que uma mesma pessoa ou departamento possa fazer de tudo.

Infelizmente, no mercado nacional, ainda nos deparamos com mutações causadas pelas faltas de investimento, visão e prioridades. Não é raro a assessoria de imprensa “fazer” também a operação de imprensa, a diretoria “cuidar” das relações internacionais, a equipe de organização “ser” responsável pelos serviços ao espectador e muitos outros frankensteins ainda encarados como normais na indústria do esporte brasileiro.

Que Tóquio 2020 sirva de atenção não só para a necessidade de investimento na formação e preparação dos atletas, mas também para a urgência na reestruturação e investimento no backoffice das entidades esportivas.

Romulo Macedo é sócio-fundador da Fan Experience 360 e escreve mensalmente na Máquina do Esporte