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Opinião / CEO?

Opinião: Profissionalização no desespero gera desconfiança

Duda Lopes Publicado em 21/03/2021, às 21h14

Imagem Opinião: Profissionalização no desespero gera desconfiança

O cenário é recorrente no futebol brasileiro: dívidas inacreditáveis, velhos grupos políticos no poder, bola que não entra. A solução? Hoje, o processo de profissionalização. No passado, o discurso já foi de busca de grandes parcerias, ‘bom e barato’ entre outros modismos do esporte nacional. E esse é um ponto que gera desconfiança: qual é a durabilidade do processo atual?

Na última semana, dois grandes clubes brasileiros fizeram as suas apostas em um processo interno mais profissionalizado, ambos em situações muito delicadas. O Botafogo apresentou o economista Jorge Braga como CEO e o Corinthians fechou com a consultoria Faconi.

O caso do Corinthians é emblemático porque, na mesma semana, o clube anunciou o déficit R$ 123 milhões em 2020. Foi o quarto ano seguido do time no vermelho. A gestão Andrés Sanchez teve prejuízo em todos os anos, e a dívida acumulada, sem considerar a inflação, foram de inacreditáveis R$ 337 milhões. O valor é superior ao acordo de naming rights da Neo Química Arena, maior conquista do ex-presidente.

Com quase R$ 1 bilhão em dívidas, Corinthians apresentou consultoria com Falconi (Foto: Reprodução)

O atual mandatário, Duílio Monteiro Alves, era diretor de futebol de Sanchez, responsável direto pela montagem de um time com a maior folha salarial do país, na CLT, e que, esportivamente, lutou para não cair no Campeonato Brasileiro em dois dos últimos três anos.

De modo que, ao fechar com a Falconi, uma medida bastante elogiável, a impressão que fica é que o desespero foi muito maior do que a real vontade de mudança. Será que o clube terá a paciência de esperar algumas temporadas para controlar as contas e, principalmente, para manter uma cultura de gestão sustentável em longo prazo?

Não seria a primeira vez que um clube se acerta e, depois, começa a tropeçar para manter a soberania. Aconteceu com o próprio Corinthians, com o São Paulo, com o Cruzeiro e parece começar um processo semelhante no Flamengo.

Depois, há o retorno para o modismo do momento do futebol. O profissionalismo, sem dúvida, é o melhor deles, mas a aparência de ‘tarde demais’ atrapalha qualquer sentimento mais otimista.