Máquina do Esporte
Facebook Máquina do EsporteTwitter Máquina do EsporteYoutube Máquina do EsporteLinkedin Máquina do Esporte
Opinião / Álvaro Cotta

Opinião: Qual é a sua tecla SAP?

Inovação nas transmissões permite experiência cada vez mais customizada para o fã

Álvaro Cotta, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 16/11/2021, às 08h15 - Atualizado às 08h17

Modalidades americanas oferecem experiência cada vez mais customizada ao fã do esporte - Reprodução
Modalidades americanas oferecem experiência cada vez mais customizada ao fã do esporte - Reprodução

O avanço dos conteúdos digitais e das plataformas dos detentores dos direitos esportivos trouxe nova dinâmica para a relação com os fãs. Antigamente, as entidades esportivas negociavam suas transmissões com grandes canais de televisão, fossem de TV aberta ou TV fechada/por assinatura.

A experiência do fã tinha uma característica passiva, pois a oferta dos eventos era limitada nos canais de televisão com pouca ou nenhuma interatividade. A inovação se limitava à tecla SAP que permitia aos fãs escutarem alguns eventos, principalmente internacionais, com o áudio da narração original.

Tecla SAP (abreviação para Second Audio Program, ou Segundo Programa de Áudio) é um sistema que permite assistir um conteúdo (na televisão) e escolher o som original (geralmente em inglês) ou dublado.

A solução da Tecla SAP surgiu em 1984, homologada pela National Television Systems Comittee (NTSC) dos Estados Unidos, com a tecnologia de multicanais de áudio e som. Muitos torcedores puderam acompanhar, no Brasil, jogos da NBA e outras ligas americanas com a narração dos profissionais em inglês.

Várias décadas depois, o conceito da Tecla SAP foi reinventado e aplicado em busca de atrair e ampliar a atenção dos torcedores. Com a chegada das plataformas digitais e a distribuição dos conteúdos em multiplataforma, os eventos esportivos encontraram novos desafios para construir suas audiências.

Os fãs de qualquer modalidade estão distribuídos em categorias de perfis ou nichos que demandam diferentes formas para consumir o conteúdo, seja ele ao vivo ou gravado. O surgimento de novas tecnologias digitais deu às detentoras dos direitos esportivos a possibilidade de oferecer seus conteúdos diretamente para o fã. A maioria dos eventos tem implementado essa solução direta ao consumidor gradualmente, mantendo e preservando seus contratos valiosos com os principais parceiros de mídia.

A NBA e a F1, por exemplo, já oferecem por meio de suas plataformas (League Pass e F1 TV, respectivamente) uma experiência personalizada para o assinante. Os planos variam entre básico e premium, mas também pode-se assinar o pacote coletivo (todos os jogos) ou o individual (jogos de apenas uma equipe). O mais interessante é a oferta de customização para o fã, que pode escolher a narração, o idioma, o ângulo da câmera e os gráficos estatísticos em tempo real em cada transmissão ao vivo.

Considerando a velocidade do avanço das tecnologias, espera-se o aparecimento de muitas novidades nos próximos anos. Algumas ligas mundiais mostram maior potencial de experimentação, uma vez que seus eventos são produzidos e exibidos para diversos países e mercados. O ponto-chave desta questão é o controle do próprio conteúdo.

Acompanhando essa visão, nós, na Liga Nacional de Basquete (LNB), trabalhamos para oferecer os jogos para todo perfil de torcedor. Desde 2015, a Liga Nacional de Basquete exibiu jogos ao vivo no Facebook, Twitter, Twitch, YouTube, além dos canais de TV aberta (nacionais e regionais) e TV por assinatura.

Todas essas tentativas têm o mesmo objetivo: aumentar a receita e a audiência dos eventos esportivos oferecendo a melhor experiência possível, nas mais variadas plataformas, para que o fã possa escolher a sua opção. O controle remoto deixou de ser um instrumento de busca e conexão do canal para se tornar uma “ilha de edição de vídeo” do próprio torcedor. E agora, qual será a próxima tecla SAP?

Álvaro Cotta é diretor comercial da Liga Nacional de Basquete (LNB) e escreve mensalmente na Máquina do Esporte