Máquina do Esporte
Facebook Máquina do EsporteTwitter Máquina do EsporteYoutube Máquina do EsporteLinkedin Máquina do Esporte
Opinião / Token não-fungível

Opinião: Quem diria que o assunto do momento no futebol seria intangível?

Autenticidade faz com que valores de compra e venda de NFTs atinjam números estratosféricos

Reginaldo Diniz, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 14/09/2021, às 08h28

Reprodução
Reprodução

Quem diria que, ao completar 48 anos, exatamente no dia do meu aniversário, eu estaria escrevendo para um canal tão importante como a Máquina do Esporte? Quem diria que a minha empresa participaria de um dos projetos de maior sucesso do marketing esportivo nacional, o Manto da Massa 113, vendendo 2.200 camisas para fora do Brasil (para pouco mais de 48 países)? Quem diria que hoje o Grupo End to End teria exatos 48 craques em várias posições, contribuindo para tornar a experiência do consumidor no esporte cada vez melhor?

Brincadeiras à parte, todos esses resultados espetaculares em alusão à minha idade foram construídos em um momento que desafia as probabilidades e já escrevi sobre isso. Pensávamos que uma empresa como a nossa só sobreviveria com aglomeração, mas a pandemia nos forçou a expandir a ideia de “lugar” e pensar em receitas virtuais para os clubes. E aí chegamos ao título do artigo:

Quem diria que o assunto do momento no futebol seria intangível?

Sim, estamos falando inicialmente sobre o NFT e seus incríveis números no esporte. Para quem ainda não está familiarizado com o tema, trata-se de um produto digital transformado em token não-fungível (NFT). Ou seja, ele é único. Essa autenticidade faz com que os valores de compra e venda atinjam números estratosféricos.

Comecei a abordar esse assunto em março, em um artigo sobre a NBA Top Shot. Criada em outubro de 2020, é uma plataforma cujo objetivo é negociar cards virtuais, como aqueles que costumávamos colecionar de atletas americanos nas décadas de 1980 e 1990. À época, questionei: será que a moda pega no Brasil? Aparentemente, sim!

Em maio, o Clube Atlético Mineiro se tornou o primeiro time brasileiro a entrar nesse mercado. Os torcedores podem usar seus NFTs como cards colecionáveis ou em um fantasy game, como o Cartola, em que o desempenho real dos atletas rende pontos. O card do Guilherme Arana, por exemplo, foi arrematado por € 8.712. Um dos motivos do alto valor é que existe apenas uma peça em circulação.

No mês seguinte, o Galo aderiu à ideia de comercializar também 13 camisas históricas em formato NFT, nas versões 2D e 3D. O responsável por realizar o trabalho foi o head de inovação do clube, Felipe Ribbe, com o genial Flávio Markiewicz, designer das camisas e autor da primeira edição do Manto da Massa. É, parece que a ideia veio para ficar.

Seguindo ainda no mundo virtual, mas mudando um pouco de tema, partimos para as criptomoedas. Na mesma época, o Atlético lançou a $Galo, podendo utilizá-la para adquirir produtos e votar em ações como frases motivacionais nos vestiários, layout do ônibus do time, entre outras coisas. O primeiro lançamento de 600 mil tokens esgotou-se em 8 minutos, gerando um faturamento de R$ 4 milhões!

Nesse quesito, não podemos deixar de mencionar o Corinthians, que este mês entrou no mercado de criptomoedas com chave de ouro. Foram 650 mil fan tokens comercializados em duas horas, um recorde segundo o site Socios.com. Quem comprou poderá participar de decisões do clube, promoções especiais, adquirir conteúdo exclusivo e receber recompensas por interação na plataforma.

E quem pensa que o assunto chegou só na NBA e no futebol, está enganado. A NFL está com um projeto de NFT para a liga, não liberando os times a venderem seus ativos próprios de NFT e criptomoedas. O brasileiro Cacá Bueno acaba de lançar a primeira plataforma de NFTs do automobilismo nacional. E tantos outros esportes devem ir pelo mesmo caminho.

Sabe por quê?

Estamos falando de torcedores, e sempre digo que torcedores são consumidores vestidos de paixão. Agora, estamos falando de paixão virtual. Se eles amam, eles compram. Não sei quanto tempo a moda desses produtos durará, e nem se será moda, mas a verdade é que a pandemia valorizou muito as atividades on-line e produtos consumidos na internet.

Eu, particularmente, vejo o investimento em NFT e criptomoedas como uma oportunidade de negócio. E se amanhã os fãs resolverem partir para outro caminho, os clubes devem fazer o mesmo. Afinal, o cliente sempre tem razão. Quem diria que, depois de tudo isso, ainda temos muito por fazer e aprender? Há um vasto espaço para explorar e gerar novas receitas com o torcedor.

Qual será o próximo desafio na opinião de vocês? E quem diria que, aos 48 anos, eu estaria falando sobre NFTs e criptomoedas?

Até a próxima!

Reginaldo Diniz é cofundador e CEO do Grupo End to End e escreve mensalmente na Máquina do Esporte