Máquina do Esporte
Facebook Máquina do EsporteTwitter Máquina do EsporteYoutube Máquina do EsporteLinkedin Máquina do Esporte
Opinião / Evandro Figueira

Opinião: A receita para o sucesso na venda de direitos

Organização, estratégia e coletividade são elementos fundamentais para valorizar negociação com a mídia

Evandro Figueira, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 26/11/2021, às 07h19 - Atualizado às 07h21

Final da Libertadores será transmitida para mais de 190 países, um cenário impensável há cinco anos - Divulgação / CONMEBOL
Final da Libertadores será transmitida para mais de 190 países, um cenário impensável há cinco anos - Divulgação / CONMEBOL

Na última semana, depois de um processo muito competitivo nos Estados Unidos, a Premier League conseguiu um novo recorde na comercialização dos seus direitos de transmissão no país. Pelo que foi publicado, a renovação do acordo com a NBC por mais seis temporadas renderá US$ 2,7 bilhões à liga. O valor é praticamente três vezes maior do que o acordo atual, e vai de 2022/2023 até 2027/2028.

Não se chega a um acordo desta magnitude sem muito estudo e muitas discussões estratégicas por um longo período anterior ao processo de licitação em si. São discussões com emissoras interessadas nos direitos e patrocinadores da competição para se buscar a melhor combinação entre exposição, receita e entrega do produto para o seu público.

Os clubes da Premier League delegam esta responsabilidade toda à liga, uma entidade que representa os direitos coletivos de todos eles, para que ela busque o melhor negócio em seu mercado doméstico, que sem dúvida é o mais importante para qualquer competição esportiva, mas também para parceiros internacionais em todas as partes do mundo. É desta forma, centralizada, que os acordos acontecem.

Para investir milhões de dólares em um evento esportivo, as emissoras ou plataformas digitais precisam saber exatamente o que estão comprando em todos os seus detalhes. Quantos jogos, quantas horas de conteúdo, equipes participantes, quais são os conteúdos adicionais, quais são os compromissos comerciais, como eles podem monetizar aquele evento, entre tantos outros.

A venda de direitos da Copa CONMEBOL Libertadores, atualmente, é trabalhada desta mesma forma, centralizada. Neste sábado (27), teremos a final entre Palmeiras e Flamengo, em Montevidéu, sendo exibida aqui no Brasil pelo SBT e pelo Fox Sports. Ambos sabiam exatamente os jogos que estavam comprando, independentemente dos times participantes, quais seriam os dias e horários das partidas que fazem parte dos seus respectivos pacotes, e entenderam as regras para a comercialização de suas cotas de patrocínio e o que poderiam ou não fazer em relação às propriedades “on-screen”.

Até pouco tempo atrás, a Libertadores era um evento esportivo que tinha sua exposição limitada apenas aos países das equipes participantes, ou seja, os dez países-membros da CONMEBOL. E, mesmo por aqui, a relevância do evento ainda não tinha atingido o nível merecido.

De 2017 para cá, quando a IMG passou a gerir as propriedades comerciais da competição e, posteriormente, com a criação da FC Diez, uma agência exclusiva para cuidar das competições de clubes da CONMEBOL, a relevância do produto aumentou muito. Durante mais de um ano, discutimos estratégia, empacotamentos, propriedades comerciais, produção centralizada, entre tantos outros detalhes que transformaram a competição no que ela hoje representa. Os direitos de transmissão no mercado local dobraram de valor, as propriedades comerciais mais do que dobraram, o número de patrocinadores aumentou, e iniciamos um processo de maior internacionalização da Libertadores e da Sul-Americana. A final será exibida em mais de 190 países, atingindo um público potencial na casa dos bilhões de espectadores.

Além disso, já há algum tempo, IMG e FC Diez já estão trabalhando na estratégia para o ciclo que vai de 2023 a 2026, buscando soluções para o que não deu certo, criando novas possibilidades e alternativas, buscando benchmarks no mercado internacional que poderiam funcionar por aqui, avaliando novos players, novos formatos comerciais, enfim, todas as novidades que traremos ao mercado no processo que iniciaremos no primeiro trimestre de 2022 para o novo ciclo.

Esta é mais uma prova de que, para o futebol brasileiro evoluir, precisamos de muito planejamento, organização e estratégia. De forma coletiva, o bolo cresce, e todos ganham mais: o futebol cresce, o interesse do público cresce, e o círculo virtuoso se encarrega de manter a bola rolando e melhorando a cada temporada.

Evandro Figueira é vice-presidente da IMG Media no Brasil e escreve mensalmente na Máquina do Esporte