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Opinião / Fã?

Opinião: Sem uma forte mudança cultural, não conseguiremos falar de esporte

Arthur Borelli - CEO da Think Sports Publicado em 02/02/2021, às 00h18

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Nos últimos anos, percebe-se um movimento forte no Brasil visando a transformação de um evento esportivo em ‘espetáculo’, o que, naturalmente, leva a uma experiência diferente para o público. De uma forma muito simplista de comparação, fazer dela um show, uma peça de teatro ou cinema. Não vai aqui nenhum tipo de questionamento sobre o quão relevante é esta transformação, porém, é preciso refletir sobre alguns temas para que esta desafiadora mudança possa, um dia, ocorrer de fato.

Primeiro, é importante falar da cultura. Infelizmente, numa rápida análise sobre nosso histórico, é possível perceber que nossa cultura não proporciona a esse público (consumidores) o prazer de gostar do esporte. Exemplos são poucos, se comparado ao potencial, aqueles que gostam do futebol. A maioria gosta do seu time. Corinthians, Palmeiras, Flamengo e assim vai. Essa torcida se restringe a ‘consumir’ o seu time, em especial quando ele está em alta nos campeonatos.

Parece confuso, mas não é. Vivemos num cenário em que o corintiano não assiste a um jogo importante do Palmeiras. Pior, não é raro acontecer até mesmo o boicote por ser um rival histórico. Isso não é gostar de futebol.

Jogo da Copa América na NeoQuímica Arena: estrutura nova não é suficiente para mudar cultura (Foto: Divulgação)

Falando então de ‘fan engagement’, que acredito ter ganho mais força em função do recente histórico de Jogos Olímpicos Rio-2016 e Copa do Mundo 2014. Caímos na cilada de pensar que, para atrair essa gigantesca massa de fãs e consumidores que representa o mercado brasileiro, basta termos arenas incríveis, estádios modernos e grandiosos, e inserir diversas ações de entretenimento para que tudo ocorra como mundo afora.

Posso dizer que talvez esse não seja o melhor caminho. É claro que devemos nos estruturar para receber o torcedor (ou melhor, o fã) de forma adequada, com segurança e conforto. Mas, sem que haja uma forte mudança cultural em que gostar do futebol seja tão importante quanto gostar do time A ou B, não conseguiremos falar de esporte e, sim, de mais um jogo.

A construção de uma nova cultura começa com as novas gerações e uma nova visão sobre o tema. E esse é um desafio ainda mais difícil a cada dia que passa, se pensarmos que a juventude hoje está consumindo conteúdos e entretenimento multi-telas, cada vez mais longe da atividade física e de acompanhar esporte in loco.

O modelo de experiência para o fã perde força à medida que as novas gerações perdem o interesse. É responsabilidade de todos que, de alguma forma atuam no esporte, trabalhar incansavelmente nesta mudança. Somente assim, todo importante esforço em prol do ‘fan engagement’ será percebido, valorizado e terá sucesso.