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Opinião / Erich Beting

Opinião: Sincerona, Leila Pereira desnuda a indústria do esporte no Brasil

Erich Beting Publicado em 19/03/2021, às 11h06

Imagem Opinião: Sincerona, Leila Pereira desnuda a indústria do esporte no Brasil
Leila Pereira é o símbolo da personificação do patrocínio esportivo no Brasil
Divulgação

Leila Pereira é um personagem dos mais interessantes do futebol brasileiro. Se tem alguém que simboliza, como poucos, como funciona o patrocínio esportivo no Brasil é a presidente da Crefisa e da FAM, que há seis anos dominaram o uniforme do Palmeiras no maior patrocínio da história do futebol.

Por isso mesmo, a estreia do programa mensal “Perfil”, em nosso canal no YouTube, precisava ter Leila Pereira como a primeira personagem. Queríamos entender até que ponto o patrocínio ao Palmeiras era um negócio para a Crefisa e a FAM ou parte de um projeto pessoal para acariciar o ego de quem tem muito dinheiro e, com o esporte, ganha também bastante poder.

Em 1h de bate-papo, Leila Pereira mostra que essa relação umbilical de patrocínio é um grande negócio. Para quem, sinceramente, não dá para tirar conclusões.

Leila foi “sincerona” ao abordar sobre a decisão de se patrocinar o Palmeiras. Não havia qualquer projeto. Foi uma ideia e, literalmente, a Crefisa “pagou para ver”. A surpresa com a repercussão sobre o negócio da empresa a partir da entrevista coletiva de apresentação do patrocínio é que fez ligar o primeiro sinal verde para o projeto.

O que veio depois, porém, literalmente saiu de controle. Crefisa, FAM, Leila e Palmeiras são hoje quase que uma coisa só. Tanto que, depois dos títulos conquistados pelo clube na temporada de 2020, quem foi à mídia dar entrevista foi a executiva da patrocinadora, falando também em nome do clube. Afinal, ela acabou de ser a conselheira mais votada pelos sócios. E que, como mesmo fez questão de frisar na entrevista, está preparada para ser a primeira presidente da história do Palmeiras, cargo para o qual deverá ser candidata nas próximas eleições, ao final deste 2021.

O que chama a atenção em toda a conversa com Leila é a capacidade que ela tem de personalizar o patrocínio. A ponto de dizer, sem qualquer receio, de que não havia qualquer embasamento técnico ao se investir no Palmeiras.

Algo que a indústria do esporte no Brasil sabe que é prática mais do que comum, mas que interfere diretamente na saudabilidade do mercado de patrocínio. Só que, num país em que ainda há grande concentração de mídia e baixa qualidade na gestão esportiva, a decisão de patrocinar precisa ser muito mais passional do que racional. O que vem depois, porém, é uma montanha russa de emoções.

Vale a pena ver o Perfil com Leila Pereira. Ele diz muito sobre como é o mercado de patrocínio esportivo no Brasil.