Máquina do Esporte
Facebook Máquina do EsporteTwitter Máquina do EsporteYoutube Máquina do EsporteLinkedin Máquina do Esporte
Opinião / Manoela Penna

Opinião: Sobre comunicação e nosso futuro olímpico

Ter cultura esportiva é algo que passa pela escola, mas também passa pelo exemplo que vem de dentro de casa

Manoela Penna, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 22/11/2021, às 06h12 - Atualizado às 06h14

Rayssa Leal foi uma das medalhistas de 13 modalidades diferentes em Tóquio 2020 - Divulgação / CBSk
Rayssa Leal foi uma das medalhistas de 13 modalidades diferentes em Tóquio 2020 - Divulgação / CBSk

Pare um segundo e pense: o Brasil tem cultura esportiva?

Sim, talvez você responda. Afinal, ganhamos medalhas em 13 esportes nos Jogos Olímpicos de Tóquio, há três meses. Viramos o país do skate com Rayssa Leal, vibramos com o baile de favela de Rebeca Andrade e empurramos Isaquías Queiroz a cada remada rumo ao ouro inédito. Mas e agora? O que povoa o imaginário coletivo até Paris 2024, daqui a pouco menos de mil dias, se não a corrente pra frente pela eterna luta rumo ao hexa da seleção na Copa do Mundo do ano que vem no Catar?

Você pode lembrar também de uma sobrinha que começou a fazer ginástica artística no mês passado ou da filha do vizinho que ganhou um skate no Dia das Crianças e está o tempo todo no playground ensaiando manobras atabalhoadas. Mas aí eu digo: um dia já fomos o país da ginástica nos passos de Brasileirinho com Daiane dos Santos e ousamos ser a pátria de raquetes com o tricampeão de Roland Garros Guga Kuerten. E ficou por isso mesmo.

O fato é que nossa monocultura esportiva acaba nos cegando para o desenvolvimento de esportes longe das quatro linhas do futebol. Há heróis da resistência, fruto de doses cavalares de talento individual e muito, muito investimento, é claro. Mas, infelizmente, não são fenômenos sustentáveis. Nossas medalhas olímpicas estão muito aquém do nosso potencial como nação.

Olhem o exemplo da pequenina Holanda com seus cerca de 17 milhões de habitantes. São mais de 25 mil clubes e oito centros de treinamentos em 41 mil quilômetros quadrados, capazes de levar o país ao sétimo lugar no quadro de medalhas de Tóquio 2020 com 36 pódios, sendo 10 ouros.

É preciso enraizar a essência do esporte na alma do brasileiro, o gostar de diversas modalidades, o torcer por diferentes atletas se quisermos ir mais longe no Olimpo. Mais do que isso, se quisermos inspirar gerações com os valores olímpicos. Esporte não tem só a ver com medalha, tem a ver com saúde, caráter e educação.

Ter cultura esportiva é algo que passa pela escola, sem dúvida. Mas também passa pelo exemplo que vem de dentro de casa ao consumir esportes (no plural mesmo) no dia a dia. E, portanto, é um dever também da mídia de contar múltiplas histórias e apresentar a diversidade. Já passou da hora de refletirmos sobre o papel da comunicação na construção da cultura esportiva brasileira.

Fica a provocação.

Manoela Penna é diretora de comunicação e marketing do COB e escreve mensalmente na Máquina do Esporte