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Opinião / Reginaldo Diniz

Opinião: Sócio-torcedor: do ingresso ao 5G

Se tudo caminhar como esperado, a nova tecnologia 5G deve beneficiar também o futebol

Reginaldo Diniz, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 12/11/2021, às 07h18

Segundo uma pesquisa recente, o Brasil chegou a 152 milhões de usuários da web em 2020 - Reprodução
Segundo uma pesquisa recente, o Brasil chegou a 152 milhões de usuários da web em 2020 - Reprodução

Na última sexta-feira (5), encerrou-se o maior leilão de faixas de frequências da história do Brasil, movimentando quase R$ 47 bilhões. O principal destaque do encontro foi a venda de lotes 5G, uma nova tecnologia por aqui. Mas o que tudo isso tem a ver com os programas de sócio-torcedor?

Se tudo caminhar como esperado, a nova tecnologia 5G deve beneficiar também o futebol. Durante a pandemia, os clubes foram obrigados a se reinventar no mundo digital para compensar a falta de público nos estádios, uma nova onda que com certeza deve permanecer. Pautas como Fan Token, NFT, blockchain e criptomoedas tornaram-se costumeiras em rodas de conversa. Mas quantas pessoas, de fato, conseguem consumir essas novidades?

Segundo uma pesquisa recente feita pelo Comitê Gestor da Internet do Brasil, chegamos a 152 milhões de usuários da web em 2020, um acréscimo de 7% em relação a 2019. No entanto, segundo especialistas, este acesso ainda é desigual, pois 58% dos lares brasileiros se conectam usando exclusivamente o celular. Se considerarmos as classes D e E, o número sobe para 90%. Além disso, de acordo com a Anatel, 114 milhões dos planos ativos ainda são pré-pagos, 50% do total comercializado. Ou seja: ainda tem muita gente sem navegação de qualidade no país.

Outro ponto a ser discutido em paralelo é a evolução dos programas de sócio-torcedor durante o período. Sim, essas novas formas de consumo e entretenimento devem fazer parte do escopo de qualquer clube, mas devemos pensar no projeto para os diversos tipos de consumidor. Como mencionado, o Brasil ainda tem muito a melhorar em infraestrutura de internet e capacidade de consumo do próprio cliente. Vale lembrar que 1% da população brasileira concentra 50% da riqueza, segundo o relatório da Riqueza Global, publicado anualmente pelo banco Credit Suisse.

Ou seja: quando falamos de novidades tecnológicas para o torcedor, estamos pensando nessa pequena fatia de um todo. E tudo bem. Mas não podemos esquecer dos outros 99%. A comunicação precisa estar focada nos diversos tipos de público, gerando conteúdo e campanhas de engajamento, na vitória ou na derrota, com ou sem ingresso. Dessa forma, todos os tipos de iniciativas de relacionamento com a torcida podem e devem conviver harmoniosamente, mesmo sendo direcionadas para consumidores diferentes.

O leilão de faixas de frequências pode inaugurar um novo capítulo na história dos programas de sócio-torcedor. Olhar as oportunidades à frente é essencial, mas sempre com os retrovisores bem ajustados. Em um país com 14 milhões de desempregados, em que muitos fãs ainda lutam por arquibancadas e camisas a preços populares, não podemos esquecer que o futebol só é o esporte mais popular do planeta, entre outras coisas, porque se joga com “qualquer coisa redonda” e dois objetos representando as traves.

E você, como acha que essa tecnologia pode revolucionar o seu negócio?

Até a próxima!

Reginaldo Diniz é cofundador e CEO do Grupo End to End e escreve mensalmente na Máquina do Esporte