Máquina do Esporte
Facebook Máquina do EsporteTwitter Máquina do EsporteYoutube Máquina do EsporteLinkedin Máquina do Esporte
Opinião / Manoela Penna

Opinião: Tóquio 2020 + 1: 100 dias para algo que nunca vimos antes

Manoela Penna, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 14/04/2021, às 02h47

Imagem Opinião: Tóquio 2020 + 1: 100 dias para algo que nunca vimos antes
Jogos Olímpicos de Tóquio vão representar uma nova era no relacionamento dos comitês nacionais com os torcedores
Reprodução

Estamos em 14 de abril de 2021. Faltam 100 dias para a Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. É meio louco escrever essa frase. Mas assim caminha a humanidade desde janeiro do ano passado, quando foi anunciado oficialmente o primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus. E aí num belo dia nos demos conta de que a Terra tinha parado quando o esporte deixou de acontecer ao vivo aos domingos na TV.

Hoje, na reta final de preparação e classificação de milhares de atletas para os Jogos no Japão, falamos mais de protocolos de enfrentamento à pandemia e proteção à saúde do que de perspectivas de medalhas. Grupos de trabalho em todo o mundo tentam (re)planejar um evento gigantesco e cheio de detalhes sem poder abrir nenhum manual de crise ou registro de aprendizados anteriores. Estamos escrevendo a página mais complexa da história olímpica (e da humanidade, claro) do zero.

Para as disciplinas de comunicação e marketing, porém, trata-se de um momento de oportunidades. Nunca foram tão relevantes para conectar pessoas, proporcionar experiências e despertar emoções positivas em que pesem o distanciamento social, o medo e a angústia.

E o esporte? Na minha visão, sai dessa mais forte por ser uma plataforma única, capaz de inspirar a sociedade com seus valores  (alguém aí ouviu falar em respeito, solidariedade, foco, coragem, disciplina, superação...) e tocar o imaginário e a alma de fãs tão diversos.

Assim, o mundo Olímpico, que sempre foi tão fértil para despertar a criatividade e gerar cases históricos a cada edição dos Jogos Olímpicos, se prepara para mais um ano de inovações. Confesso que estou ansiosa para ver o que nos espera.

As tradicionais e milionárias ondas de hospitalidade (que ruíram junto com o programa de venda de ingressos internacionais) deverão ser substituídas. O relacionamento e as celebrações, que tinham as casas de hospitalidade como palco, acontecerão em qual cenário? E as ativações de patrocinadores? Como atingirão seu alvo? Sem falar no trabalho da mídia...

Se, in loco, esses serão Jogos exclusivamente de olhos puxados, é ao redor do mundo que eles reafirmarão sua força vital. Não tenho dúvidas de que as audiências nas TVs e no ambiente digital atingirão níveis recordes no que diz respeito a alcance e engajamento. Os Comitês Nacionais, mais do que nunca, vão olhar para seus próprios territórios – suas comunidades – para estimular a torcida do público. Os Jogos serão no Japão, mas a medalha será celebrada em casa.

E então, mais do que nunca, os atletas serão fundamentais: não somente pela performance tão aguardada, mas também por serem os verdadeiros influenciadores dessa plataforma de comunicação tão rica e apaixonante chamada esporte olímpico.

Manoela Penna é diretora de marketing e comunicação do Comitê Olímpico do Brasil e escreve mensalmente na Máquina do Esporte