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Opinião / Álvaro Cotta

Opinião: Tóquio, a Olimpíada da superação

Álvaro Cotta, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 21/07/2021, às 12h18

Na próxima sexta-feira, 23 de julho, começam os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020/2021. O maior evento esportivo do planeta será, enfim, realizado após uma série de incertezas, adiamentos, adequações e também de muito investimento. O impacto da pandemia no planejamento e na organização dos Jogos foi gigantesco, assim como o esforço do Comitê Olímpico de Tóquio e do Comitê Olímpico Internacional (COI) para garantir a execução do evento em 2021.

Imagino que o desafio de conciliar as expectativas dos atletas, treinadores e fãs, os interesses dos patrocinadores e parceiros de mídia, e os compromissos financeiros das organizações envolvidas coloca esta edição dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos entre os mais difíceis de toda a história.

Apenas para ilustrar a complexidade de uma operação como essa, serão mais de 200 países representados por aproximadamente 11 mil atletas, disputando mais de 300 medalhas em menos de 20 dias. Calcula-se que haverá aproximadamente 4,5 bilhões de telespectadores ao redor do mundo. A estimativa de investimento total do evento está em US$ 16 bilhões, incluindo o acréscimo devido ao adiamento para 2021. Com isso, Tóquio 2020 serão os Jogos de Verão mais caros da história, superando Londres 2012.

Qualquer pessoa que já trabalhou, participou, disputou ou assistiu pelo menos uma edição dos Jogos Olímpicos tem sua própria visão da grandiosidade desse evento. Os Jogos também promovem acontecimentos – políticos e sociais – marcantes. Em Berlim 1936, durante o governo nazista da Alemanha, Jesse Owens – atleta negro dos EUA – conquistou quatro medalhas de ouro em um período de profunda segregação racial. Fato parecido também ocorreu na Cidade do México, em 1968, quando John Carlos e Tommie Smith subiram ao pódio sem tênis e com braços erguidos, usando luvas, em alusão ao Movimento Black Power. Em 1972, em Munique, o evento ficou marcado pela tragédia envolvendo o ato terrorista do grupo Setembro Negro, reproduzindo parte dos conflitos entre palestinos e israelenses. E, por fim, temos os reflexos da Guerra Fria na década de 1980, tirando países da disputa das Olimpíadas de 1980 e 1984.

Tóquio 2020 terá um fato importante para o esporte: a valorização da mulher. A previsão do COI é que as atletas femininas alcancem aproximadamente 49% do total de atletas classificados para essa edição dos Jogos, um recorde histórico. O Brasil terá a maior delegação da sua história em uma edição olímpica, desconsiderando o Rio 2016, quando o país foi sede. Serão 303 atletas, sendo 162 homens e 141 mulheres.

O adiamento dos jogos em um ano, a ausência do público nas arenas, a proibição da presença do turista internacional, as restrições de acesso e circulação dos jornalistas e atletas, o rigor dos protocolos sanitários, as alterações dos ciclos de treinamentos dos atletas e muitas outras decisões encorparam a lista dos motivos pelos quais os Jogos de Tóquio 2020 serão reconhecidos como os Jogos da superação.

Provavelmente conheceremos novas histórias incríveis, tão ou mais marcantes que os recordes e as medalhas conquistadas. Todo esportista que chegar em Tóquio para representar seu país será um vencedor, assim como todos aqueles que trabalharam incansavelmente para confirmar o evento em 2021. Fiquemos na torcida para que os valores olímpicos – amizade, excelência, respeito – sejam enaltecidos nos cinco continentes como celebração da capacidade humana de superar os desafios para a valorização da vida.

Álvaro Cotta é diretor comercial da Liga Nacional de Basquete (LNB) e escreve mensalmente na Máquina do Esporte