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Opinião / Erich Beting

Opinião: Transformamos o Brasileirão em Brasileirinho

CBF, clubes e mídia fizeram questão de esconder do torcedor a conquista do torneio pelo Atlético-MG

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 06/12/2021, às 09h49 - Atualizado às 09h51

Atacantes Diego Costa e Hulk posam com as medalhas de campeões brasileiros de 2021 - Pedro Souza / Atlético-MG
Atacantes Diego Costa e Hulk posam com as medalhas de campeões brasileiros de 2021 - Pedro Souza / Atlético-MG

O Atlético-MG foi campeão brasileiro na última quinta-feira (2), após 50 anos de espera, em um jogo que alcançou uma das mais expressivas audiências recentes do futebol. Mas apenas os torcedores de Minas Gerais puderam acompanhar, ao vivo e na TV aberta, a eletrizante virada atleticana sobre o Bahia que sacramentou a conquista do título nacional. O Galo ganhou. Mas pouca gente em todo o Brasil teve a oportunidade de ver o feito atleticano. Um jogo que deveria estar disponível para quem gosta de futebol ficou perdido em uma quinta-feira, às 18h, na televisão aberta para Minas Gerais e no PPV para o restante do país.

Sim, há dois anos o Flamengo foi campeão sem nem precisar entrar em campo, mas de qualquer forma o jogo em que o Palmeiras perdeu o título foi exibido nacionalmente pela TV aberta, em uma tarde de domingo, para deleite do rubro-negro que havia conquistado a América um dia antes e fazia festa pelas ruas do Rio de Janeiro. O que torna ainda mais bizarro o feito que conseguiram protagonizar a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), os clubes e as emissoras detentoras dos direitos de transmissão do Brasileirão.

Não podemos apontar o dedo para um só nessa responsabilidade múltipla que fez com que o Brasileirão se transformasse em Brasileirinho naquela que tem tudo para ser uma das mais belas histórias de conquista nesta era do torneio em pontos corridos.

Não por acaso, o atleticano festejou até o dia seguinte nas ruas de Belo Horizonte. Só que o amante de futebol e de boas histórias praticamente ficou alijado de acompanhar tudo isso. A não ser quem se dispôs a pagar, além da mensalidade da internet e da TV a cabo, outros R$ 50 por mês, pelo menos, para ter o pay-per-view do Brasileirão.

O dirigente esportivo brasileiro tem a obrigação de entender que isso não é fruto de uma infeliz coincidência. A tabela do campeonato precisa ser pensada e formatada de um jeito que os grandes jogos decisivos estejam disponíveis para o maior número possível de pessoas.

Por mais que se critique a final única da Libertadores, o fato de ter um jogo decisivo com dia e local predefinidos movimenta a mídia, os patrocinadores e os torcedores para o evento. O Brasileirão tem o benefício de poder fazer isso a cada rodada. Mas desde que o produto seja bem pensado e bem trabalhado.

É inadmissível que a partida que pode definir o campeonato fique “largada” no meio de semana, sem ser dado o tratamento que merece a decisão do título. Se o futebol brasileiro seguir com a mentalidade de regionalizar a transmissão de seus jogos, ficará cada vez mais fadado a reduzir o tamanho de seu campeonato.

Não é difícil olhar o modelo. Há 70 anos, antes mesmo de o Brasileirão ter sido inventado e formatado, os americanos já organizavam seus campeonatos pensando em produtos para a mídia divulgar ao máximo a competição.

Por mais que em um torneio por pontos corridos exista a “imprevisibilidade” de se saber em qual rodada o título vai sair, é minimamente calculável quando essa conquista virá. Não podemos esconder o futebol de quem não é fanático. Do contrário, vamos reduzir cada vez mais o público que está disposto a consumi-lo.

Numa das mais lindas histórias de título que tivemos recentemente, o Brasileirão virou Brasileirinho. Graças à incompetência do futebol brasileiro de valorizar o que ele tem de bom.