Opinião

Opinião: Tsitsipas é suspiro jovem para o tênis

por Redação
A
A

Quem ligou a TV logo pela manhã na quarta-feira (17) pôde vibrar com um daqueles jogos que ficarão marcados na história do esporte. O grego Stefanos Tsitsipas, de 22 anos, venceu o astro espanhol Rafael Nadal, de 34 anos, após perder os dois primeiros sets. Mas, para além do talento em quadra, a consolidação do atleta mais jovem deve ser um suspiro para o tênis.

Primeiro porque, nesta semana, ele pode representar o fim de um domínio absurdo de três tenistas nas duas últimas décadas. Rafael Nadal, Roger Federer e Novak Djokovic estão na lista de maiores atletas da história, mas eles fizeram algo pouco agradável a se pensar em negócios: eles fizeram do tênis masculino algo previsível e, muitas vezes, menos empolgante do que poderia ser.

Não é exagero. Dos últimos 15 Abertos da Austrália, eles venceram 14. Em Roland Garros, Rafael Nadal venceu 13 das últimas 16 edições. Historicamente, o tênis sempre teve domínio de alguns jogadores, mas, como negócio, está na hora desse ciclo ser encerrado.

E Tsitsipas é um nome fantástico para isso. Muito mais midiático do que outros que tentaram quebrar esse domínio, como Dominic Thiem ou Andy Murray, o grego é jovem, simpático e altamente conectado, a ponto de, em 2019, ter se forçado a ficar algumas semanas longe das redes sociais, que o estariam estressando. Nada mais anos 2010!

publicidade
Tsitsipas repete Guga ao dar ar jovial ao mundo do tênis (Foto: Reprodução/Twitter)
Tsitsipas repete Guga ao dar ar jovial ao mundo do tênis (Foto: Reprodução/Twitter)
publicidade

No mesmo ano, chegou a cantar para as redes sociais da ATP após vencer o Finals da temporada; foi o atleta mais jovem a conseguir a taça desde Lleyton Hewitt, no começo do século. Antes, já tinha eliminado Roger Federer no próprio Aberto da Austrália.

A busca por um público mais jovem, por sinal, tem sido uma preocupação explícita da ATP que, no fim de 2020, lançou uma campanha global chamada “This is Tennis”. O foco era mostrar que o esporte é dinâmico e intenso, além de conseguir mesclar lendas da modalidade com jovens talentos.

A verdade é que, de maneira geral, o tênis é conservador, algo tão simbolizado pelas peças brancas de Wimbledon. E, por vezes, a necessidade de concentração que o esporte necessita pode passar uma imagem sisuda. A presença dos velhos nomes que dominam as quadras serve ainda mais de repelente aos olhares mais jovens.

Tsitsipas é uma quebra desse modelo, algo parecido com o que foi Gustavo Kuerten no fim dos anos 1990. A diferença é que, agora, a presença de um novo Guga parece ainda mais necessária à modalidade.

publicidade

Futebol inicia pressão por nova paralisação