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Opinião: A última fronteira

Sergio Patrick fala sobre como Ted Lasso e Drive to Survive podem popularizar o futebol e a F1 nos EUA

Sergio Patrick, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 07/10/2021, às 08h15 - Atualizado às 08h17

Ted Lasso tem ajudado a popularizar o futebol jogado com os pés para o público americano - Divulgação
Ted Lasso tem ajudado a popularizar o futebol jogado com os pés para o público americano - Divulgação

A cerimônia de entrega do prêmio Emmy para os destaques da televisão aqui nos Estados Unidos reconheceu Ted Lasso como a melhor série de comédia do ano. Se você ainda não ouviu falar ou não assistiu, eu recomendo. Original, bem escrita e com atuações muito boas. Mas o mais relevante para este espaço é o fato de a história ter o futebol como pano de fundo.

Ted é o protagonista, um treinador de futebol americano contratado para treinar um time de futebol na Premier League. São inúmeras as piadas e referências ao futebol inglês nos episódios das duas primeiras temporadas. E se o time treinado por Lasso é o ficcional Richmond, várias equipes conhecidas do país aparecem na série, como Manchester City e Tottenham.

Aliás, a Premier League, inicialmente desconfiada, acaba de assinar um acordo com a Apple, que produz a série, para uso dos logos e nomes dos times, uniformes, imagens de arquivo e até do troféu. Um claro reconhecimento do potencial que Ted Lasso tem para a popularização do futebol aqui nos EUA.

O mestre em comunicação JD Atkinson analisou, em estudo feito para a George Washington University, o poder da identidade social na indústria do entretenimento, mais especificamente os filmes, e como eles podem dar voz a grupos com pouca representatividade. Atkinson acredita que Ted Lasso tem potencial para mudar a percepção sobre o futebol nos EUA.

“A série normaliza a ideia do protagonista – que não entendia totalmente o esporte – entrar de cabeça no futebol, o que pode ajudar pessoas fora da comunidade global do futebol a se identificar com Ted Lasso e sua jornada, e se apaixonar pela série e pelo esporte. Da mesma forma, aqueles que já acompanham futebol nos EUA podem aprender a aceitar novatos como Ted e mostrar a eles a beleza do jogo”, afirmou.

Em outra história curiosa, a Fórmula 1 tem despertado interesse no público americano mesmo sem um piloto americano ou uma equipe do país em destaque. O que mudou foi que milhões de assinantes da Netflix no país passaram a ficar por dentro das intrigas dos bastidores da categoria por meio da série Drive to Survive. De novo, se você não viu, vale a pena. A série é muito bem filmada e editada, de maneira que diverte mesmo aqueles que não estão acostumados com a F1 ou não acompanharam as últimas temporadas de perto. A audiência das nove primeiras corridas deste ano cresceu 36% na comparação com 2019. E as ações da Liberty Media subiram 113% desde que o grupo comprou a F1 em 2017.

Uma das coisas que essa exposição faz é simplesmente apresentar os esportes, ligas ou categorias para gente que não tinha contato ou afinidade, além de naturalizar nomes e imagens. Mas ainda mais importante é o fato de que as duas séries tocam muito bem no que fazem a F1 e a Premier League, ou o futebol, tão apaixonantes. O resto do mundo conhece bem, mas os americanos parecem ainda não saber os motivos.

É fundamental ver agora o que os responsáveis por esses grandes produtos farão com a oportunidade. Com mais gente aqui nos EUA por dentro, maior a chance de essas pessoas se tornarem espectadores assíduos e ajudarem esses gigantes globais a derrubar a última grande fronteira.

Sergio Patrick é jornalista especializado em comunicação corporativa e escreve mensalmente na Máquina do Esporte sobre o esporte nos Estados Unidos