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Opinião / Álvaro Cotta

Opinião: Um ano de retomada e transformações

Em meio à transformação digital, nenhum segmento do esporte mudou tanto quanto os direitos de transmissão no Brasil

Álvaro Cotta, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 16/12/2021, às 07h08 - Atualizado às 07h14

Pandemia trouxe alteração na forma como consumimos o esporte, mudando o panorama dos direitos de mídia - Divulgação / NBB
Pandemia trouxe alteração na forma como consumimos o esporte, mudando o panorama dos direitos de mídia - Divulgação / NBB

O ano de 2021 começou com muitas incertezas, dúvidas e aflições. Em janeiro, a pandemia avançava para uma segunda onda, e a sociedade reacendeu as discussões sobre a necessidade de voltar a proibir as atividades esportivas. Hoje, em meio à ampla vacinação, buscamos formas de equilibrar a retomada da vida social com os cuidados necessários à saúde.

Durante meses, o confinamento e as restrições de circulação e participação nos eventos esportivos provocaram mudanças estruturais no comportamento dos fãs, das marcas e de toda a cadeia esportiva – atletas, treinadores, árbitros, etc. Novas formas de interação e novas tecnologias foram testadas e utilizadas para suprir a ausência do público nos ginásios e nos estádios.

Viveu-se um período de muitos aprendizados e experimentações. O ambiente digital e virtual ganhou notoriedade e trouxe oportunidades com produtos inovadores. Novas palavras surgiram e ocuparam espaços no cotidiano, como se fossem velhas conhecidas do público: NFTs, Fan Tokens, criptomoedas, etc. Mas nenhum segmento do esporte mudou tanto quanto os direitos de transmissão no Brasil.

No início da pandemia, em 2020, o cenário tinha a Globo concentrando os principais eventos esportivos – Brasileirão, Copa do Brasil, Campeonatos Estaduais de Futebol, Libertadores, Copa Sul-Americana, Fórmula 1, Stock Car, etc. A ESPN dominava os esportes americanos e aguardava a aprovação do Cade para a fusão com o Fox Sports. Esta última avançava com investimentos na própria Libertadores e outros eventos internacionais. A Turner Sports, por sua vez, apostava no Brasileirão com várias partidas exclusivas, além da Champions League. A Band e o Bandsports iniciavam um relacionamento com alguns conteúdos esportivos nacionais e internacionais. O Facebook investia em conteúdos e direitos esportivos. O DAZN inaugurava sua operação no Brasil trazendo grandes expectativas. O SBT e a Record continuavam focados no entretenimento, sem apostar nos conteúdos esportivos.

Pouco mais de um ano depois, entraremos em 2022 com uma boa transformação. A Globo e o Sportv mantiveram um portfólio esportivo expressivo, mesmo após perder eventos importantes na sua programação. O grupo está apostando no surfe, com a WSL, no skate e no futebol feminino, principalmente após os resultados dos Jogos Olímpicos de Tóquio. A Libertadores aterrissou no SBT e confirmou sua força. A Band recebeu a Fórmula 1, a Stock Car e outros eventos importantes. A Record ganhou o Paulistão, junto com YouTube e HBO Max. A ESPN ganha força, relevância e destaque com o NBB, as ligas americanas, a Premier League, a LaLiga, a Libertadores – vinda do Fox Sports – e a chegada da plataforma Star+. A UEFA Champions League está no SBT, TNT Sports e HBO Max. A Turner decidiu sair do Brasileirão. Na direção contrária, o Amazon Prime Video entrou no jogo e anunciou a Copa do Brasil na sua plataforma, após negociação com a Globo.

Esse novo mapa de distribuição das transmissões esportivas no Brasil fortalecerá, a médio e longo prazo, a relação do esporte com os diversos grupos de mídia no país, sejam eles nacionais ou internacionais. Provavelmente, nenhuma emissora ou plataforma substituirá a força e a abrangência da audiência da Globo, incluindo Sportv e o site GE. Entretanto, a descentralização pode ser positiva para o esporte, o mercado e os veículos de mídia. O resultado dessa movimentação será percebido e mensurado nos próximos anos.

Feliz Natal e um ótimo Ano Novo

Chegamos ao final de mais um ciclo anual. É o momento de agradecer a todos pela interação, contribuição, crítica, participação e convivência. Desculpem-me aqueles com quem errei, falhei ou não respondi com a agilidade adequada. Minha gratidão aos que me deram a oportunidade de aprender, explorar ideias e rever conceitos. Obrigado à Máquina do Esporte pelo convite para esta coluna que tem sido um desafio enriquecedor. Enfim, um Feliz Natal para todos e que 2022 venha com novos desafios e muita saúde.

Álvaro Cotta é diretor comercial da Liga Nacional de Basquete (LNB) e escreve mensalmente na Máquina do Esporte