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Opinião / Fernando Fleury

Opinião: Uma geração que torce para quem?

Fernando Fleury, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 25/08/2021, às 09h23

Imagem Opinião: Uma geração que torce para quem?

Enquanto a Torre Eiffel brilhava e os torcedores do PSG comemoravam, em Barcelona torcedores sofriam e questionavam a saída daquele que foi, possivelmente, o maior atleta que diversas gerações viram ou verão jogar. Messi representou algo raro no futebol atual: lealdade a um time. Desde que chegou ao clube catalão ainda adolescente, o jogador foi trabalhado dentro da famosa filosofia de La Masia para se transformar no atleta que os torcedores consideram o melhor jogador de futebol da história do Barcelona. E alguns até mesmo ousam considerar como o melhor da história.

E assim que a transferência foi confirmada o que não faltaram foram números para justificar a transferência (mesmo que ela tenha sida gratuita para o clube francês). Como nos livros de Harry Potter, camisas voaram pelas prateleiras, torcedores migraram – aos milhões – de clube nas redes sociais, direitos de TVs, antes caros, viraram pechincha. Em suma, o mercado se agitou e a boataria também.

A velha lenda de que camisas pagariam a vinda do atleta (com direito a uma fake news sobre um recorde de 832 mil camisas que pegou jornalistas no mundo inteiro) e que um clube perderia 30% do seu valor de marca, enquanto outro teria suas receitas até dez vezes maior, voltaram a fazer parte de um cenário supostamente profissional. Até a Amazon comemorou. Afinal, em junho, ela havia fechado os direitos de 80% dos jogos da primeira divisão francesa por um valor muito menor do que a Mediapro havia pagado originalmente. E, agora, ainda ganhava Messi.

Mas com todos os possíveis impactos, um deles chamou a atenção: o crescimento das redes sociais e a possível torcida por um jogador. Em uma semana, o PSG ganhou mais de 9 milhões de seguidores no Instagram, por exemplo.

Um crescimento que levanta uma questão importante: será que estamos nos tornando torcedores de atletas e não de times?

Pessoalmente, não acredito nisso. Não ainda. Mas não tenho dúvida de que a geração Millenium é uma geração que vê nos atletas uma atração maior do que nos clubes. São vínculos emocionais que os clubes, hoje, não conseguem mais criar. Principalmente quando pensamos em clubes brasileiros. Isso fica evidente quando analisamos o Instagram de clubes e atletas no Brasil.

Mas se você acha que basta contratar um atleta para solucionar os problemas do seu clube, cuidado, se ele for um Messi pode até ser...

Messi atrairá muitos olhares, provavelmente muito dinheiro, para o PSG. Mas Messi é uma exceção. E como tal deve ser tratado. Seus números dentro e fora do campo sempre foram assim. E atletas como ele, CR7 e novos ídolos, dos mais diversos esportes, podem estar pondo muitos times em posição de xeque-mate nas redes sociais. Mas justamente por serem eles superastros do jogo, que arrastam centenas de milhões de fãs, que não se pode imaginar que basta um atleta midiático para alavancar as redes sociais e atrair ainda mais fãs.

Para dar um exemplo contrário, nem mesmo o popular Daniel Alves e seus mais de 33 milhões de seguidores atraiu mais do que 0,5% deste número para o perfil oficial do São Paulo Futebol Clube. Portanto, o retorno técnico em campo pode avalizar uma contratação midiática, mas, a menos que ele seja um extraterrestre (como Messi), não é o bastante para atrair novos seguidores e torcedores.

Fernando Fleury é fundador da Armatore Market + Science e escreve mensalmente na Máquina do Esporte

Para falar com o autor: @fleurysportmkt