Opinião

Temos de olhar a saúde das crianças

por Erich Beting - São Paulo (SP)
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Em 2012, um estudo encomendado pela Nike e outras grandes empresas mostrou que a geração de nossos filhos deve ser a primeira, em toda a história, a ter uma expectativa de vida mais baixa que a geração anterior. Vidas em grandes centros urbanos, má alimentação e sedentarismo formavam o tripé vilanizador do tempo de vida no futuro.

Nesta segunda-feira (26), mostramos aqui na Máquina do Esporte os dados de uma pesquisa feita por Nescau com jovens em todo o Brasil sobre os impactos que o Covid acarreta na prática de atividade física deles. Se, há oito anos, a preocupação com o sedentarismo era grande, agora ela deve se tornar uma questão de saúde mundial assim que a pandemia puder ser controlada.

Sete meses sem a prática de qualquer atividade física regular é um período grande demais para qualquer adulto. Os danos que isso causa a nosso corpo são fáceis de perceber. Para isso, basta termos tido uma vida ativa antes ou depois desse período de tanta inércia física. O que dirá na vida de alguém que não chegou ainda aos 15 anos de idade?

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"Pai, quando a pandemia acabar, eu já vou ser sub-6". A frase foi dita nesta mesma segunda-feira pelo meu caçula. Desde os dois anos que ele queria estrear os treinos no sub-5. A essa altura, ele já era o xodó dos professores, acompanhando do lado de fora o treino dos irmãos mais velhos, mas batendo bola comigo para passar o tempo. A pandemia frustrou o primeiro ano de atividade física regular, como faziam os mais velhos. Sete meses, muitas cambalhotas, sofá rasgado e broncas depois, finalmente a volta de uma atividade com bola, mesmo que ainda apenas duas vezes por semana, devolve a ele um pouco de um hábito de vida saudável.

Tenho a sorte de conseguir ser sócio de um clube e ter, dentro de mim, a cultura de que o esporte precisa permear nossas vidas para sociabilizar nossas vidas, ensinar trabalho em equipe, trazer frustrações e alegrias, além, claro, de ser algo que nos traz saúde para viver mais e melhor lá na frente.

Meus filhos vão olhar para trás e ver na pandemia apenas um período em que a disciplina, o foco e a concentração tiveram de ser mais bem trabalhados. Mas e quem não tem o esporte como hábito? Como vamos recuperar nossos filhos do trauma de ficarem inativos por quase um ano? É hora de colocar a saúde de nossas crianças como prioridade nos planos de governo. E de patrocínio.

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