Opinião

Voto de torcedor pressionaria dirigentes

por Duda Lopes
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A torcida organizada Camisa 12, do Corinthians, fez na terça-feira (20) um enterro simbólico da chapa de Andrés Sanchez, a Renovação e Transparência, na frente do Parque São Jorge. Foi uma forma de pressionar o clube contra a desastrosa gestão do atual presidente semanas antes das eleições do time. Ato bem-intencionado, mas que dificilmente surtirá efeito real. Na zona leste paulistana, torcedor não manda na política do time.

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Sem a participação popular, o pleito será mais uma vez decidido por um grupo fechado de 3 mil votantes que representarão 30 milhões de torcedores. Ou seja, no conchavo daqueles que usufruem da sauna do clube, não seria nenhuma surpresa se a tal Renovação e Transparência ganhasse mais três anos de gestão. O que, mantida a atual estratégia, seria até difícil de imaginar o tamanho do estrago em curto prazo.

Se o Estado insiste em fechar os olhos para a constante farra gerada pelos dirigentes, a maneira mais saudável de manter algum controle está no voto popular. O que, na prática, significa abrir as eleições para os sócios-torcedores. No caso corintiano, é até difícil explicar o porquê de isso não acontecer. O clube nasceu como time de futebol, não faz sentido um sócio não decidir o futuro da equipe só porque ele não frequenta a piscina.

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No Parque São Jorge, essa foi uma promessa antiga de Sanchez que, por manutenção de poder, nunca saiu do papel. Quem discute isso atualmente é o Cruzeiro, vítima de uma gestão tão irresponsável como a apresentada pelo rival de São Paulo. A votação por um novo estatuto deverá sair ainda este ano. Caso a proposta consiga ser aprovada, a equipe mineira garantirá um processo mais democrático e transparente, sob a vigia de seus próprios torcedores.

A abertura de votos para sócio-torcedor não é uma garantia de boa gestão, obviamente. O Internacional, por exemplo, adota a medida há alguns anos, o que não impediu que o time fosse rebaixado à Série B em 2016. Mas, perto de Corinthians e Cruzeiro, o ruído da administração parece ter sido bem menor.

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Atualmente, dirigentes fazem o que querem dentro dos clubes porque sabem que manterão o controle de um grupo fechado e não serão atingidos. Com sócios-torcedores votantes, eles sabem que abusos de incompetência passam a ser suicídio político. A mudança nos estatutos é uma maneira de garantir gestões com o mínimo de responsabilidade e sustentabilidade.

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